João Kleber vai comandar uma nova versão do formato consagrado pela “Escolinha do Professor Raimundo” na RedeTV!, e eu já estava no Cosme Velho tentando transformar a segunda-feira em algo minimamente civilizado. Café de um lado, agenda aberta do outro, óculos na ponta do nariz e meu celular vibrando como aluno bagunceiro no fundo da sala. Quando li “Escolinha da Copa”, quase sentei direita na cadeira e respondi chamada como aluna aplicada do caos: presente, professora, com atraso emocional e muita curiosidade.
O novo quadro será chamado “Escolinha da Copa” e deve ir ao ar durante o Mundial. A ideia marca a retomada de um desejo antigo de João Kleber, que já havia tentado levar uma atração semelhante ao ar em 2017. Agora, a RedeTV! decidiu tirar o projeto da gaveta e apostar no clima de Copa para brincar com o formato de sala de aula humorística.
João Kleber trabalhou com Chico Anysio em diferentes momentos da carreira e costuma atribuir ao humorista sua ida para a Globo. Na época, ele atuou como jurado do “Cassino do Chacrinha” e chegou a substituir Abelardo Barbosa na reta final da atração. Ou seja, antes de virar o homem do teste de fidelidade, João já tinha rodado por escola grande da TV brasileira.

Como o nome Professor Raimundo pertence ao espólio de Chico Anysio, o personagem central da nova versão deve ganhar outro nome. E ainda bem, meu amor. Professor Raimundo é patrimônio afetivo, não figurino de festa temática. Se é homenagem, precisa pisar leve. Se é paródia, precisa ter graça. Se não tiver nenhum dos dois, aí vira recuperação final sem direito a segunda chamada.
Os bastidores da gravação foram divulgados pelo diretor Rafael Paladia nas redes sociais. Além de João Kleber no papel do professor, o elenco terá nomes curiosos, para dizer o mínimo: sósias de Gusttavo Lima e Neymar, o palhaço Amendoim, a repórter trans Juju Bonita, o animador Fernandinho Resenha Geral, o podcaster Adriano Francino e as modelos Giovana Previero, Dani Costa, Jaqueline Santos e Vittória Calabró.

É uma escalação que parece ter saído de um grupo de WhatsApp chamado “Copa, caos e audiência”. Tem sósia, tem humor popular, tem figura de internet, tem modelo, tem personagem e tem aquela cara de RedeTV! fazendo televisão pelas beiradas, já que a emissora não tem os direitos de transmissão do torneio. Enquanto outras exibem jogo, ela tenta vender resenha. No idioma da TV aberta, isso se chama sobrevivência com peruca e apito.
A aposta de João Kleber, portanto, entra num terreno delicado. De um lado, existe a força de um formato reconhecível, fácil de vender e cheio de nostalgia. Do outro, há o risco de parecer apenas uma colagem apressada em cima de um clássico. E clássico, meu amor, não se ressuscita no grito. Tem que chamar com cuidado, botar cadeira boa e respeitar quem veio antes.
Mesmo assim, João Kleber voltou para a sala de aula com giz na mão e coragem no peito. Se vai tirar nota alta, ainda não sei. Mas uma coisa é certa: mexer com a memória de Chico Anysio exige mais do que vontade antiga. Exige respeito, piada boa e, principalmente, saber que a turma do fundão hoje comenta tudo em tempo real.