Última tarde na Espanha, mala fechada no quarto do hotel em Madri, eu almoçando com o passaporte em cima da mesa e o celular vibrando entre uma garfada e outra. Era fonte de São Paulo, dessas que ligam já falando antes de eu conseguir dizer alô. Gente, para tudo: enquanto eu atravessava a Europa achando que já tinha visto tudo nesta temporada, rolou em São Paulo uma festa de noivado que fez gente restaurar terreno abandonado só para caber convidado.
O casal é Sofia Bresser e Theo Braga. A celebração aconteceu na casa da família da noiva e foi dividida em dois atos, batizados de Chiaro e Scuro. Só que a segunda parte da noite não cabia exatamente dentro de casa.

A solução? Recuperar um terreno vizinho que estava parado havia anos.
Para chegar ao Scuro, os convidados atravessavam uma abertura criada dentro da própria residência e desembocavam no espaço completamente restaurado para a ocasião. O casamento está previsto para 2027, então eu já aviso: se isso foi o noivado, tenho medo do tamanho da obra quando chegar a cerimônia.
A história estética da festa começou longe dali, em 2025, no Lago di Como, onde Theo pediu Sofia em casamento. Foi no hotel Passalacqua que os dois encontraram duas referências que acabariam virando a espinha dorsal da celebração: o quarto chamado Chiaroscuro e os peixes espalhados pela propriedade.
E o peixe não entrou na história porque alguém abriu o Pinterest.

No primeiro beijo do casal, quando os dois descobriram os signos, Theo soltou que “o peixe mora dentro do aquário”. A piada interna ficou. No noivado, virou arte.
Cada convidado recebeu antecipadamente um peixe em branco para personalizar. Depois, todas as peças foram reunidas e transformadas em uma instalação coletiva na festa. Ou seja, além de confirmar presença, escolher roupa e comprar presente, o convidado ainda entregou obra. Eu respeito a terceirização criativa.
A comida foi pensada pela própria Sofia e virou praticamente outro evento dentro do evento.
No primeiro ato, Laurent Suaudeau assinou uma mesa de antepastos com pães artesanais, manteigas aromatizadas, queijos, embutidos e conservas. Os pratos principais ficaram por conta de Jonatas Moreira, do Akuaba, de Maceió. A escolha levou para a mesa uma parte da origem de Theo, que é alagoano.
O Bluefin Bar ficou nas mãos de José Araújo, sushiman que já cozinhava para os pais de Sofia antes mesmo de ela nascer. As sobremesas foram preparadas por Isabella Suplicy ao lado da própria noiva.
E calma, porque isso era só o Chiaro.
No Scuro ainda teve menu asiático do L’Épicerie, cafeteria com doces escolhidos por Sofia e pela mãe, Jeniffer Bresser, gelatos da Italien e bar de sandos do Saiko. Na madrugada, os convidados provaram antecipadamente o novo wrap asiático da Wrappd by Sofy, antes mesmo de o produto chegar ao público.
Minha filha, isso não é buffet. É festival gastronômico com pedido de casamento no currículo.
Sofia também trocou de vestido duas vezes, ambos assinados por Júnior Santaella, e fez a própria maquiagem no primeiro momento porque queria se reconhecer de forma natural.
O primeiro vestido teve inspiração em uma borboleta, símbolo associado a Sofia pelo noivo desde o início da relação e que já havia aparecido nas primeiras joias dadas por ele. Para o segundo ato, ela surgiu com um modelo em tom de pó de arroz, mangas curtas bufantes e drapeados, combinado com joias que o pai mandou fazer especialmente para a noite.
O cabelo ficou com Emerson Dias, enquanto Gesi Belan assumiu a beleza no segundo momento.
Eu aqui em Madri, passaporte na mesa, mala esperando no hotel e fazendo uma conta simples. Eles recuperaram terreno, abriram passagem dentro da casa, montaram dois universos, colocaram chef atrás de chef na cozinha, fizeram convidado produzir instalação artística e a noiva ainda trocou de vestido duas vezes.

E isso foi o noivado.
O casamento é só em 2027.
Vou embarcar para o Rio agora porque claramente preciso economizar energia para essa cobertura.