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Kátia Flávia
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Söderhem leva à SouBio a aposta bilionária na longevidade

Enquanto o mercado só sabe falar de previdência, uma sueco-brasileira desembarca em Florianópolis para lembrar que envelhecer bem também virou negócio de arquitetura, tijolo e metro quadrado com propósito.

Kátia Flávia

22/07/2026 9h13

Daline Hällbom participa da SouBio Experience para debater longevidade e novos modelos de moradia.

Daline Hällbom participa da SouBio Experience para debater longevidade e novos modelos de moradia.

Eu estava saindo da academia direto para a maca da drenagem, ainda de coque desfeito e prometendo a mim mesma beber mais água nesta vida, quando um convite caiu no meu email e me fez sentar antes mesmo de a linfa começar a andar. Porque, minhas bilionárias, apareceu no meu radar uma pauta que casa duas coisas que eu adoro: dinheiro e a promessa de viver muito para poder gastá-lo com elegância.

Vamos ao que interessa. Daline Hällbom, fundadora da Söderhem, empresa sueco-brasileira que desenvolve soluções de moradia voltadas à tal longevidade ativa, vai desembarcar em Florianópolis para palestrar na quinta edição da SouBio Experience, nos dias 21 e 22 de agosto. O palco fica no Panorama Conceição, coladinho na Lagoa da Conceição, aquele cartão-postal onde todo mundo quer ser fotografado com uma água de coco na mão. E a proposta dela foge do papo de aposentadoria com cara de velório: ela quer discutir como arquitetura e moradia entram na conta de quem vai viver muito mais tempo.

A Söderhem leva a Florianópolis sua visão sobre arquitetura voltada ao envelhecimento ativo.
A Söderhem leva a Florianópolis sua visão sobre arquitetura voltada ao envelhecimento ativo.

Agora deixa eu te dar o contexto que transforma isso em novela de negócios. O Brasil está envelhecendo num ritmo sem precedentes, e o IBGE projeta que o número de gente com mais de 60 anos só cresce enquanto a natalidade despenca. Traduzindo para a minha língua: está nascendo um mercado gordíssimo, e boa parte da turma do terno bem cortado ainda não olhou para ele direito. A nossa nórdica da longevidade viveu e trabalhou na Suécia, na Irlanda e nos Emirados Árabes, colecionou passaporte carimbado e voltou com o manual escandinavo debaixo do braço, daqueles que fazem executivo brasileiro suspirar em inglês.

E aqui entra a jogada esperta da moça. Enquanto meio mercado discute longevidade como se fosse assunto exclusivo de previdência e plano de saúde, ela vira o holofote para habitação, urbanismo e convivência, os primos esquecidos do debate que, de uma hora para outra, viraram os mais cobiçados da festa. A tese dela, de que a arquitetura tanto aproxima quanto isola as pessoas, é do tipo que soa linda no palco e, convenhamos, também ajuda a vender metro quadrado com discurso. Posicionamento de quem entendeu que envelhecer virou tendência de investimento antes mesmo de virar política pública.

Fico observando esse filão nascer com a curiosidade de quem já viu bolha inflar e nicho virar unicórnio da noite para o dia. Se depender da Daline, o próximo boom da Faria Lima troca a gravata pelo corrimão ergonômico e pela sala de convivência bem projetada. Já anotei a SouBio na agenda, entre a drenagem e o próximo boleto, para conferir se essa revolução da longevidade paga os dividendos que promete. Afinal, viver muito é ótimo, mas viver muito e bem investida é ainda melhor, minhas amoras.

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