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Kátia Flávia
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“Sem vale, né?”: repórter da Globo reclama do salário ao vivo e viraliza

Cristiano Gomes, da NSC TV, brincou no telejornal que o pagamento entrou na conta e desapareceu “de uma maneira muito mágica”; âncora ainda lamentou: “E sem vale, né?”

Kátia Flávia

08/06/2026 16h30

Cristiano Gomes viralizou ao reclamar do salário durante telejornal da NSC TV

Cristiano Gomes viralizou ao reclamar do salário durante telejornal da NSC TV

O repórter Cristiano Gomes, da NSC TV, afiliada da Globo em Santa Catarina, viralizou após reclamar ao vivo sobre o salário durante o telejornal da última sexta-feira (05). Em tom de brincadeira, ele comentou que o pagamento havia caído na conta, mas saiu rápido demais.

Depois de me render ao mínimo de organização doméstica possível, fui para o banheiro encarar o espelho e tentar devolver algum brilho civilizatório ao rosto. Viagem acaba com a pele, com o cabelo e com a ilusão de que a gente é uma mulher prática. Eu passava creme como se estivesse restaurando uma obra tombada quando Cristiano Gomes apareceu na tela dizendo que o salário “caiu e já saiu”. Quase deixei o hidratante cair na pia. Porque há frases que não são comentário de telejornal, meu amor. São patrimônio emocional do trabalhador brasileiro.

Durante a transmissão, Cristiano entrou no clima de sexta-feira e soltou: “Sextou. Não sei se vocês olharam na conta de vocês, mas o salário caiu, viu?! Graças a Deus! Mas, no meu caso, ele caiu e já saiu, de uma maneira muito mágica. Ele só foi… Mas tudo bem! Vamos que vamos!”.

Do estúdio, o âncora Douglas Márcio riu da situação e disse que o colega estava sendo “o mais brasileiro dos brasileiros”. Em seguida, completou: “O salário pingou e já saiu. Com o que sobrou, a gente sobrevive”.

Rafaela Cardoso, que também apresenta o telejornal, entrou na brincadeira e emendou: “Por 30 dias”. Foi aí que Douglas aproveitou para mandar outra reclamação em rede: “E sem vale, né?! Aí não dá!”.

A cena viralizou justamente porque tinha aquele sabor raro de sinceridade ao vivo. O telejornal seguia com pauta, câmera, bancada e formalidade, mas por alguns segundos todo mundo ali parecia estar na mesma fila do boleto. Nas redes, os comentários foram imediatos. “Agora o chefe sabe que precisa melhorar as condições do trabalhador em rede nacional”, escreveu um internauta. Outro resumiu: “Representando o brasileiro e principalmente o povo da comunicação. E sem vale ainda”. Um terceiro fez o apelo direto: “Globo, libera o vale pros colaboradores”.

A graça da cena está no constrangimento coletivo. Não era um escândalo trabalhista formal, não era denúncia com documento na mão, mas era aquele desabafo que atravessa a tela porque qualquer pessoa que já recebeu salário sabe exatamente o que Cristiano quis dizer. O dinheiro entra bonito, posa por alguns segundos na conta e sai como artista internacional fugindo de aeroporto.

Terminei o skincare olhando para o extrato bancário mental da minha própria vida e concluí que Cristiano Gomes apenas verbalizou o que muita gente sente todo quinto dia útil. A diferença é que ele fez isso ao vivo, numa afiliada da Globo, com âncora concordando e reclamando de vale. Minha filha, se salário que cai e já sai fosse fenômeno meteorológico, o Brasil inteiro estaria em alerta laranja.

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