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Kátia Flávia
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Selton Mello fecha série de Hollywood e vira magnata ao lado de Viola Davis

Anunciado nesta quinta, 29 de outubro, o ator entra no elenco principal de Ascent, série da Paramount+ criada por John Logan, com Alfred Molina, Amy Madigan e Sam Heughan. E Viola, além de estrelar, assina a produção executiva.

Kátia Flávia

29/10/2026 14h17

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Selton Mello acaba de ser anunciado como um dos protagonistas de Ascent, nova série original da Paramount+, que reúne um time de estrelas de Hollywood (Crédito: Maurício Nahas)

Eu estava em casa, no Cosme Velho, tentando vencer a pilha de trabalho da tarde, quando o telefone tocou com DDD de São Paulo. Atendi no automático, ouvi as palavras “Selton” e “Viola Davis” na mesma frase e larguei o notebook aberto no sofá. Gente. O Selton Mello vai contracenar com a Viola Davis numa série americana. E o papel dele é de bilionário.

Ascent é um thriller sobre o mundo das crises corporativas e da gestão de reputação de grandes empresas, aquele universo de gente muito bem paga para impedir que um escândalo vire manchete. Viola vive Catriona Vail, especialista em apagar incêndio de corporação bilionária, que precisa usar as mesmas armas implacáveis do trabalho quando a filha, de quem está afastada, entra em perigo. Selton será Leonardo, um magnata carismático e influente, com uma história longa e enrolada com a Ascent Ventures, a empresa no centro da trama. Passado complicado com uma firma especializada em esconder coisas. Eu já gostei.

O time em volta é de respeito. Alfred Molina faz Sebastian, o chefão da companhia que começa a escolher quem vai sucedê-lo. Amy Madigan, que levou o Oscar de Atriz Coadjuvante deste ano por A Hora do Mal, é Rachel, ex-executiva e mentora da personagem de Viola. Sam Heughan, o astro de Outlander, vive Conal, o agente camaleão que manipula todo mundo para fechar missão de alto risco. Viola, Madigan e Heughan já estavam confirmados; Selton e Molina chegaram agora, na nova rodada de anúncios. E reparem no detalhe que muita gente vai pular: Viola também produz a série, pela JuVee Productions, que ela comanda com o marido, Julius Tennon. Ou seja, o Selton vai trabalhar com a protagonista sentada também do lado de quem banca o projeto.

Quem criou, escreveu e comanda tudo como showrunner é John Logan, três vezes indicado ao Oscar, por Gladiador, O Aviador e A Invenção de Hugo Cabret, e criador de Penny Dreadful na TV. Ele divide a produção executiva com Michael Aguilar, e a série sai da Paramount Television Studios. As filmagens estão previstas para 2027, em Los Angeles, com lançamento mundial na plataforma. Data de estreia, ninguém deu.

E o Selton não fez a menor questão de bancar o blasé. Disse que se sente um menino de novo, que trabalhar com Viola era um sonho que ele achava que nunca ia acontecer e que pirou com a atuação da Amy Madigan. Depois desfiou a filmografia inteira do Logan como fã de carteirinha, citando até Sweeney Todd, o musical de Tim Burton com Johnny Depp, como filme que marcou a vida dele. Fechou dizendo que segue com a maturidade de mais de 40 anos de estrada e o entusiasmo de um iniciante. Ator veterano tietando roteirista em comunicado oficial? Eu acho uma delícia.

E a agenda internacional dele não para aí. Depois do Oscar de Filme Internacional de Ainda Estou Aqui, em 2025, Selton tem dois filmes estrangeiros previstos para 2027: Zero K, do americano Michael Almereyda, com Caleb Landry Jones, Britt Lower e Peter Sarsgaard no elenco, e I Don’t Even Know Who I Was, coprodução entre França e Brasil rodada em Paris sob direção de João Paulo Miranda Maria, em que ele é protagonista e também produtor.

Um magnata brasileiro de passado mal resolvido, numa série inteira sobre gente que ganha fortuna para abafar escândalo, dividindo cena com Viola Davis. Eu já separei o sofá.

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