Andréa Beltrão precisou passar por uma cirurgia de emergência no pé esquerdo e cancelou compromissos importantes das próximas semanas. A atriz contou nas redes sociais que ficará seis semanas sem poder apoiar o pé no chão, depois que uma lesão antiga saiu do modo incômodo e entrou no modo “acabou a agenda, minha filha”.
Eu tinha acabado de descer do carro na porta do The Standard Ibiza Town, com a sacola de palha no ombro, a canga listrada azul e branca dobrada de qualquer jeito e sal até no pensamento, quando li o comunicado dela. Parei no lobby antes de subir, porque Andréa Beltrão escrevendo até sobre cirurgia consegue ter mais timing que muita novela das nove.
A atriz contou que estava tudo acertado para apresentar, na semana que vem, o Prêmio Grande Otelo do Cinema Brasileiro ao lado de Marieta Severo. Com o afastamento, será substituída por Silvia Buarque. Ela também cancelou a ida ao Festival de Gramado, onde participaria da estreia do filme “Antártida”, em 14 de agosto, e receberia uma homenagem no dia seguinte.

“Não deu pé. Estava tudo combinado, datas marcadas e confirmadas”, escreveu Andréa. E continuou: “Estaria ao lado da Marieta para fazer, na semana que vem, a apresentação do Prêmio Grande Otelo do Cinema Brasileiro (agora serei orgulhosamente substituída por minha irmã de ofício Silvia Buarque, e agradeço a ela); tudo também acertado com o Festival de Gramado para estar presente na sessão de estreia do filme ‘Antártida’ no dia 14 de agosto e, no dia seguinte, receber uma homenagem do festival por serviços prestados no nosso cinema exuberante. Estava feliz da vida. Mas eis que não deu pé”.
“Não deu pé” é o tipo de frase que só Andréa Beltrão consegue usar no meio de uma cirurgia sem perder elegância. Eu, no lugar dela, estaria mandando áudio de sete minutos para todo mundo. Ela faz literatura de boletim médico.
A atriz explicou que convivia com dores havia cerca de cinco anos, mas o quadro se agravou recentemente. “Uma dor que se arrastou por mais ou menos cinco anos explodiu, me tirou de combate, e na semana passada fui direto para a sala de emergência fazer uma cirurgia que de grave não tem nada, mas é dolorosa à beça e agora me obriga a ficar seis semanas sem pisar no chão. Cadeira de rodas, etc. E quando puder usar muletas, vou comemorar”, detalhou.

O diagnóstico também veio com nome de personagem aristocrático: lesão osteocondral no dome do talus. O tratamento, segundo ela, é um autoenxerto osteoarticartilaginoso, conhecido pela sigla em inglês OATS. Tradução para quem está no lobby de hotel com areia na rasteira: o pé pediu reforma estrutural, com engenheiro, tapume e licença poética.
Andréa ainda brincou com o próprio temperamento inquieto. “Para mim, que sou chamada de perereca pelo meu médico Alcino Affonseca, pois não paro quieta, é um exercício extraordinário ficar imóvel, de pé pra cima, atracada aos milagrosos analgésicos… Salve a penicilina e afins!”, escreveu.
A atriz encerrou dizendo que aguarda a recuperação do pé esquerdo enquanto lamenta os compromissos perdidos. “Mas é a vida que manda na gente. Vou em frente. Cuidadosa para voltar a nadar, jogar bola, correr na praia e usar salto alto quando bem entender. O resto é história.”
E cá entre nós: quando Andréa Beltrão diz que quer voltar a nadar, jogar bola, correr na praia e usar salto alto, ela não está falando só de fisioterapia. Está avisando ao universo que a pausa é obrigatória, mas a personagem principal continua sendo dela.
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