MC Guimê afirmou que deseja redirecionar sua carreira e, no futuro, dedicar o trabalho exclusivamente à música gospel. Em desabafo nas redes sociais, o cantor disse que quer usar a voz para transmitir mensagens de fé, mas ressaltou que a mudança deve acontecer sem prazo fixo. O relato foi divulgado pela RedeTV!.
Eu terminei o sorvete, joguei o guardanapo no lixo e voltei para a reunião com a boca ainda gelada de limão siciliano. Antes de sentar, abri o celular e encontrei MC Guimê falando de um caminho que não cabe em estratégia de lançamento: fé, paciência e o desejo de cantar somente para Deus.

A conversa ganhou força depois que ele publicou um vídeo cantando louvor. Segundo o artista, os relatos de pessoas que se emocionaram com a gravação tiveram mais peso do que números, comentários ou alcance nas redes sociais.
Eu coloquei o celular ao lado do caderno e fiquei olhando a tela. Quem vive de música sabe o tamanho de uma mudança de repertório, de público e de identidade. Mas quando a pessoa fala de espiritualidade, não é a internet que deve estabelecer calendário, nem transformar processo íntimo em enquete.
“Eu não posso ter pressa. Eu preciso ter paciência”, declarou Guimê. O cantor explicou que não fixou uma data para abandonar o funk, mas acredita que chegará o momento em que cantará apenas músicas voltadas para Deus.
Guimê se converteu à religião evangélica em 2019 e foi batizado na Assembleia de Deus. Desde então, passou a compartilhar com mais frequência conteúdos ligados à fé e afirmou que quer alinhar a rotina às mensagens que canta.
Eu voltei aos apontamentos da reunião, mas achei bonito ele não apagar o caminho que percorreu. Guimê fez questão de agradecer aos 17 anos de carreira no funk e reconheceu que o gênero ostentação abriu portas e transformou sua vida. Fé não precisa ser borracha para apagar história; pode ser uma nova forma de entender o que veio antes.

O cantor também defendeu que problemas pontuais associados a letras ou comportamentos de artistas não definem todo o universo do funk. É uma observação necessária: respeitar uma nova fase religiosa não exige demonizar um gênero inteiro que movimenta cultura, trabalho e identidade para tanta gente.
Eu fechei a agenda e fiquei com uma ideia simples: Guimê está dizendo que quer caminhar em direção à música gospel, mas no tempo dele. E isso basta. Entre o funk, o louvor e os próximos capítulos, que ele tenha serenidade para fazer escolhas que façam sentido para a própria vida.