Estava andando pelo Rio Sul, olhando vitrine sem intenção real de comprar nada, quando uma produtora veterana me mandou a nota no privado do Instagram antes de qualquer portal publicar. Parei na frente de uma loja, respirei fundo e li duas vezes.
O SBT confirmou hoje o encerramento da parceria com o evangelista Deive Leonardo, em comum acordo. Os programas já gravados ficam na grade até 19 de julho, e depois disso, nada mais. O comunicado veio com aquela linguagem de nota corporativa ungida, cheia de “planos de Deus” e “novo direcionamento”, mas a mensagem é simples: acabou.
O ponto que todo mundo no meio sabe, mas poucos tinham coragem de dizer em voz alta, é que Silvio Santos jamais colocaria programação religiosa na grade do SBT. O canal do Baú foi construído sobre auditório, humor, Domingo Legal, Ratinho e aquela energia de circo popular que não combina com culto na televisão aberta. Daniela Beyruti assumiu a emissora após a morte do pai e apostou em Deive Leonardo como tentativa de alcançar o público gospel, que é imenso e fiel. A aposta não rendeu o que prometia.
Nas redes, a notícia explodiu em segundos. Páginas de fofoca de TV comemoraram abertamente, fãs do SBT histórico fizeram festa nos comentários, e a turma evangélica partiu para o ataque com versículos e indignação no pacote. Deive Leonardo ainda não se pronunciou pessoalmente, só a equipe dele soltou aquele texto cheio de fé e gratidão que todo assessor escreve quando a conta foi encerrada mas ninguém quer parecer azedo.
A verdade é que SBT com pregação nunca encaixou, e o mercado publicitário sentiu isso antes de qualquer analista escrever a respeito. Dany Bey levou um tempo para aprender, mas aprendeu. Pai Silvio deve estar em algum lugar sorrindo com aquele sorrisão de apresentador, aliviado.