Estava sentada no tradicional Café Tortoni, em Buenos Aires, esperando um café que parecia seguir o horário oficial da diplomacia argentina, quando a notícia apareceu no celular: o SBT decidiu abrir as portas dos seus estúdios para visitação pública. Confesso que sorri antes mesmo de terminar a leitura. Porque poucas empresas brasileiras possuem um patrimônio emocional tão poderoso quanto a emissora fundada por Silvio Santos.
A partir do dia 12 de junho, o público poderá visitar o Complexo Anhanguera, sede do SBT em Osasco, na região metropolitana de São Paulo. A experiência será realizada de sexta a domingo, das 10h às 16h, com ingressos custando R$ 90 a inteira e R$ 45 a meia-entrada.

O projeto permitirá que os visitantes conheçam os bastidores da televisão brasileira, passando por áreas históricas da emissora, estúdios, espaços de produção e ambientes que ajudam a contar a trajetória construída ao longo de mais de quatro décadas.
Entre os principais destaques está o Hall da Fama, dedicado à história de Silvio Santos, reunindo registros marcantes da carreira do apresentador e empresário que se tornou um dos maiores comunicadores da história do Brasil.
O passeio também inclui exposições de figurinos, áreas de produção de cenários e espaços que mostram como programas, novelas e atrações são produzidos nos bastidores da emissora. Ao final da visita, os fãs ainda poderão conhecer uma loja temática com produtos exclusivos ligados ao universo do SBT.
A iniciativa segue um modelo já consolidado internacionalmente por gigantes do entretenimento como a Warner Bros. e a Paramount, que transformaram seus estúdios em atrações turísticas permanentes. A diferença é que, no caso do SBT, o principal ativo não é apenas a estrutura física, mas a memória afetiva construída com milhões de brasileiros ao longo dos anos.
Poucas emissoras conseguem reunir personagens tão presentes no imaginário popular. Do Baú da Felicidade aos programas de auditório, passando por novelas, atrações infantis e clássicos dominicais, o SBT construiu uma relação emocional rara com o público.
Segundo Daniel Abravanel, diretor estratégico de negócios da emissora, o objetivo é fortalecer esse vínculo e permitir que os fãs conheçam mais de perto a história da empresa.
O momento também parece cuidadosamente escolhido. Menos de dois anos após a morte de Silvio Santos, a visitação surge como uma forma de preservar e celebrar o legado de um dos nomes mais importantes da comunicação brasileira.

Enquanto caminhava pelas ruas de Buenos Aires, pensei que a ideia faz todo sentido. Em cidades onde o turismo cultural é valorizado, estúdios, teatros e emissoras históricas costumam se tornar pontos de visita obrigatórios. O Brasil possui uma das maiores histórias de televisão do mundo e, por muito tempo, manteve esse patrimônio praticamente inacessível ao público.
O SBT percebeu algo simples: memória também é experiência.
E experiência, hoje, vale ingresso.