Eu fiquei sabendo e larguei tudo. Porque isso aqui não é só bastidor, é capítulo final com luz baixa, figurino impecável e trilha mental de drama antigo. Ronnie Von, o eterno príncipe da televisão brasileira, chegou para trabalhar e descobriu que o elenco de apoio tinha evaporado. Equipe inteira demitida, cenário de bom dia virando sala vazia e aquele silêncio constrangedor que ninguém ensina na faculdade de comunicação.
Imaginem a cena comigo, amigas. Ronnie, 81 anos de elegância acumulada, ajustando o sorriso, cumprimentando o estúdio e percebendo que o programa agora tinha cara de ensaio geral abandonado. Companheira Certa virou relacionamento unilateral. Ele ali, fiel.
A informação correu rápido pelos corredores. Se permanecesse na RedeTV!, Ronnie teria de aceitar nova equipe, outro diretor, outro clima e aquela sensação de recomeço forçado que ninguém com currículo histórico engole sem azia. O veterano entendeu o recado, fez a conta mental e escolheu sair antes que alguém sugerisse um quadro com zap do telespectador e filtro neon.

Eu chamo esse momento de dignidade televisionada. Ronnie começou em 1966, atravessou Jovem Guarda, revelou nomes do tropicalismo, segurou câmera ao vivo sem ponto eletrônico e sobreviveu a fases em que audiência se media no grito da plateia. Ele não precisava passar por esse tipo de surpresa amarga aos 81 anos. Não combina com paletó bem cortado nem com biografia longa.
O pedido de demissão dele cai como mais uma peça solta no quebra cabeça da emissora, que anda trocando nomes, horários e formatos com velocidade de reality show mal editado. Saiu Luciana Gimenez, entrou Cariúcha, Datena deixou a cadeira, Katiúzia Rios assumiu outro espaço, programas matinais foram encerrados e o zap ganhou status de protagonista.
Ronnie Von olhou para tudo isso e fez o que poucos fazem na TV. Saiu sem escândalo público, sem chororô ao vivo, sem nota atravessada. Um encerramento à moda antiga, com classe, espinha ereta e aquela sensação de que quem perdeu foi o palco.