Estava na Barra, indo a uma adega, quando o telefone tocou. Era uma fonte do meio jurídico de São Paulo, seca e direta: o filho do Cid Moreira saiu da cadeia. Entrei no carro, esqueci a adega e fui apurar.
A decisão foi publicada na terça-feira, 28 de abril, pelo Judiciário paulista: Rodrigo Radenzev Simões Moreira está autorizado a cumprir o restante da pena em regime aberto, fora das grades. O caminho de volta veio por habeas corpus obtido pela defesa, depois de uma condenação a dois anos e seis meses de reclusão, mais um ano de detenção e multa. Saiu de lá, mas a conta não está zerada.
O caso começou em dezembro de 2025, numa operação policial numa chácara em São Pedro, interior de São Paulo. Os agentes encontraram três tijolos de maconha, uma arma de fogo e outros itens. Rodrigo foi preso em flagrante, autuado por tráfico de drogas e posse irregular de arma. Sem margem para dúvida, sem nuance: o flagrante foi redondo.



Cid Moreira carregava décadas de credibilidade, aquela voz inconfundível que ancorou o Jornal Nacional por mais de trinta anos, morto em outubro de 2024 aos 97 anos. A prisão do filho em dezembro causou constrangimento genuíno no meio jornalístico e entre os fãs do apresentador. A soltura agora reacendeu tudo nas redes, com o público lembrando do processo e fazendo a comparação que ninguém precisou explicitar porque ela se impõe sozinha.
Regime aberto, habeas corpus, pena fora das grades. O Judiciário fez o que o Judiciário pode fazer. Mas tem coisa que toga nenhuma resolve, e essa coluna já ouviu histórias piores saindo de chácara no interior de São Paulo, só que sem o peso de um sobrenome gravado na memória afetiva do Brasil inteiro.