Eu estava indo para Belém, em Lisboa, naquele roteiro em que a pessoa finalmente admite que virou turista: Torre de Belém, Mosteiro dos Jerónimos e, claro, a peregrinação gastronômica aos Pastéis de Belém. Foi no caminho que chegou a notícia de Rod Stewart. E essa me fez parar de verdade.
Aos 81 anos, Rod anunciou nesta segunda-feira (28) que The Final Encore será sua última turnê. A despedida da estrada começa em abril de 2027, passa pelo Reino Unido e por outros países da Europa e termina em julho, em Hanôver, na Alemanha. São mais de seis décadas de uma vida praticamente construída entre palco, hotel, aeroporto e camarim.

Agora, atenção para uma diferença importante: Rod Stewart não anunciou aposentadoria da música. Ele está encerrando a vida de grandes turnês. Apresentações pontuais continuam possíveis. Parece detalhe, mas não é. A manchete correta é que ele está se despedindo da estrada, não necessariamente do palco.
E existe um contexto de saúde que torna a decisão ainda mais significativa. Em junho, Rod quase desmaiou durante um show em Utah e precisou usar oxigênio. Depois, em agosto, passou por um procedimento para colocação de stent coronário e cancelou o restante das apresentações que faria nos Estados Unidos e no México para se recuperar. Sua equipe informou na época que o procedimento havia sido bem-sucedido.
Dias atrás, Penny Lancaster, mulher do cantor, explicou que o episódio no palco ajudou os médicos a identificarem um problema cardíaco até então desconhecido. Segundo ela, foi detectada uma obstrução que exigiu o stent, e Rod se recuperava bem. Ou seja: não dá para reduzir a despedida a uma frase genérica sobre “problemas de saúde”, mas também não dá para fingir que o coração não entrou nessa história.

Eu sigo para Belém pensando numa coisa: tem artista que anuncia despedida e a gente procura a pegadinha no rodapé. Rod foi bem específico. Depois de mais de 60 anos, turnê acabou. Agora me deem licença porque sobreviver à fila dos Pastéis de Belém também exige preparo cardiovascular.