Amigas, eu estava andando pelo Shopping Colombo, em Lisboa, tentando decidir se precisava mesmo de mais uma compra, quando recebi uma notícia que me fez esquecer até as vitrines. Segurem minha bica, porque a serra do Rio de Janeiro está preparando uma festa daquelas! O Rock the Mountain 2026 vem com Anitta, Ivete Sangalo, Jorge Ben Jor, Jorja Smith e uma escalação tão poderosa que eu quase perguntei se tinham resolvido transportar o Rock in Rio para Itaipava. Gente, é muita estrela para uma montanha só!
E olha que o assunto merece atenção. Enquanto os grandes festivais disputam público com estruturas gigantescas e campanhas milionárias, o Rock the Mountain aposta em uma combinação que tem conquistado espaço no calendário musical brasileiro: natureza, gastronomia vegetariana, sustentabilidade e artistas de diferentes gerações. A 13ª edição acontece em dois finais de semana, nos dias 30 e 31 de outubro e 1º de novembro, além de 6, 7 e 8 de novembro, no Parque Municipal Prefeito Paulo Rattes, em Itaipava, Petrópolis. São seis dias de programação, com os mesmos artistas nos dois finais de semana. Um verdadeiro desfile de estrelas entre as árvores.

Agora, minhas filhas, prestem atenção no tamanho desse elenco. Anitta retorna ao festival com a Equilibrium Tour. Ivete Sangalo fará sua estreia no evento, levando o axé para a serra fluminense. Jorge Ben Jor chega com aquele repertório que atravessa gerações, enquanto o mestre Paulinho da Viola e a maravilhosa Leci Brandão representam o samba com a elegância de quem não precisa provar absolutamente nada a ninguém. E ainda tem Dominguinho, projeto de João Gomes, Jota.pê e Mestrinho, vencedor do Grammy Latino. Eu fico imaginando a quantidade de gente que vai sair de lá sem voz e com o coração satisfeito.
E o festival ainda resolveu internacionalizar a montanha. A britânica Jorja Smith, que precisou cancelar sua participação em 2025, está confirmada para este ano. Também aparecem M.I.A., a banda mexicana Midnight Generation, a dupla italiana Mind Enterprises e Los Mirlos, do Peru. No time brasileiro, Gaby Amarantos, Marcelo D2, Duquesa, Marcos Valle, Urias, Timbalada e Afrocidade ajudam a transformar a programação numa mistura deliciosa de ritmos. É praticamente uma reunião de condomínio musical, só que todo mundo sabe cantar e ninguém está discutindo a vaga da garagem.
Mas existe um número que ajuda a explicar por que o Rock the Mountain merece ser levado tão a sério. Segundo a organização, aproximadamente 150 mil pessoas passaram pelo festival em 2025, ao longo dos seis dias. E a edição de 2026 já chega com os ingressos do primeiro final de semana esgotados. O segundo continua com vendas anunciadas. Ou seja, a procura já demonstra que o público está interessado nessa experiência de música cercada de verde.
Ricardo Brautigam, o Cadinho, sócio-criador do evento, explica que a identidade do Rock the Mountain foi construída com a valorização da música brasileira e a abertura para artistas de outros países, gêneros e gerações. E essa talvez seja uma das maiores qualidades do festival: conseguir colocar no mesmo cartaz nomes consagrados e artistas que representam novos movimentos da música, sem transformar a programação numa disputa de gerações.
Além dos três palcos principais, Floresta, Estrela e Aurora, o evento terá espaços dedicados ao samba, ao rock e à música eletrônica, além de atrações infantis, instalações artísticas, tirolesa, roda-gigante e uma área gastronômica totalmente vegetariana. O Rock the Mountain também procura associar sua identidade a práticas de sustentabilidade. Uma proposta que vai além de simplesmente reunir artistas famosos num palco.
E aqui, do Shopping Colombo, eu fiquei pensando numa coisa: o Rock in Rio continua sendo uma referência gigantesca, mas o Rock the Mountain está construindo uma personalidade própria, com uma experiência bastante diferente daquela oferecida pelos megafestivais. Não há dados para afirmar que tenha ultrapassado o Rock in Rio em expectativa ou público, mas a programação e a procura por ingressos mostram a força que o evento conquistou.

Agora me digam: quem imaginaria que Itaipava conseguiria reunir Anitta, Ivete Sangalo, Jorge Ben Jor, Jorja Smith e Paulinho da Viola numa mesma edição?
Eu, que saí para olhar vitrines em Lisboa, terminei olhando passagem para o Rio. Porque, minhas filhas, quando a montanha chama desse jeito, até o cartão de crédito começa a cantar.