Rio nublado, 23 graus, e eu diante do computador fingindo naturalidade para números que claramente exigiam um calmante. Estou meio desorientada, confesso, porque abri a planilha do Rock in Rio achando que ia encontrar coisa pequena e dei de cara com guitarra assinada por astro internacional esperando lance. Peguei o telefone na hora e liguei para os Medina. Gente, o festival acabou no dia 13, mas a Cidade do Rock continua mexendo com o meu juízo.
O que me contaram é o seguinte: a segunda etapa do leilão Fans For Change está no ar desde 15 de setembro e termina amanhã. São mais de 40 itens, entre guitarras Tagima e objetos exclusivos autografados por quem passou pelos palcos da edição 2026. A lista é daquelas que fazem fã tremer: Foo Fighters, Stray Kids, Demi Lovato, Maroon 5, Avenged Sevenfold, Bring Me The Horizon, Twenty One Pilots, Halsey, Laufey, Zara Larsson, Black Eyed Peas, Calvin Harris, Jamiroquai, Mumford & Sons, Jon Batiste e, do nosso lado, Gilberto Gil, Alok, Jota Quest, Barão Vermelho, Capital Inicial, Belo, Péricles, João Gomes, Sepultura e Detonautas.


Agora vem a parte que me fez largar o mouse. Os lances iniciais foram de R$ 20,26 a R$ 2.026, um aceno ao ano da edição. Peraí: vinte reais e vinte e seis centavos como ponto de partida para um objeto que passou pela mão de uma dessas bandas? Claro que ninguém está levando nada por esse preço a um dia do martelo, mas a porta de entrada é essa. Todo o lucro vai para a Ação da Cidadania, dentro do movimento Eu Vou Doar, que tem o combate à fome como bandeira. Roberta Medina, executiva da Rock World, disse que o leilão já faz parte da história do festival e que a ideia é transformar o carinho dos fãs pelos artistas em doação concreta para uma causa urgente. André Georges, fundador e CEO da Play For a Cause, resumiu como chance de colecionador levar para casa uma lembrança única ajudando alguém do outro lado.


E tem a primeira etapa, que já deixou dinheiro na conta. Durante os sete dias de festival no Parque Olímpico, o leilão de experiências arrecadou cerca de R$ 75 mil. Os pacotes davam acesso ao Espaço VIP climatizado com vista para o Palco Mundo, ao Lounge Mirante, a um menu degustação de chefs brasileiros no Rock in Rio Club, transporte dentro do evento e fura fila nos brinquedos. O pacote que eu teria disputado no tapa era o que abria as portas do Rock World Lounge, onde circulam artistas, executivos e convidados do festival. Imagina o que se ouve naquele sofá.


A régua, aliás, está alta. Em 2024, na edição dos 40 anos, o mesmo leilão colocou mais de 40 itens assinados na roda e passou de R$ 390 mil, divididos entre a Ação da Cidadania e a Gerando Falcões. Com essa escalação de 2026, eu duvido que fique atrás. Quem sempre quis uma relíquia do Rock in Rio tem até amanhã para decidir se é fã de verdade ou só de story.