Eu estava no mirante de Es Vedrà, aquele rochedo que todo mundo em Ibiza jura ser místico e que, místico ou não, entrega o melhor fim de tarde da ilha. Sol descendo, vento batendo, ninguém falando. Aí o telefone toca. Família Medina do outro lado, querendo me contar como o público vai chegar e sair da Cidade do Rock no ano que vem. Eu, que já perdi show por causa de trânsito no Rio de Janeiro, sentei na pedra e ouvi tudo.
O festival acontece nos dias 4, 5, 6, 7, 11, 12 e 13 de setembro de 2026, no Parque Olímpico. Durante esses sete dias, a estação Jardim Oceânico do MetrôRio fica aberta 24 horas para embarque e desembarque, funcionando como ponto de integração com o BRT Expresso Rock in Rio. As demais estações operam no horário normal para embarque e ficam abertas de madrugada apenas para quem estiver voltando. Rio 2 das 5h às 22h, Parque Olímpico das 6h às 10h, Pedro Corrêa das 5h à meia-noite, Rede Sarah 24 horas nos dias de evento.

O BRT Expresso custa R$ 29 e só é vendido pelo aplicativo Jaé, com pagamento pelo saldo da Conta Transporte, que aceita pix ou cartão. São três serviços operados por ônibus articulados: SE008 entre o Terminal Jardim Oceânico e o Terminal Centro Olímpico, direto; SE009 entre o Terminal Alvorada e a Estação Morro do Outeiro, direto; e SE010 entre o Terminal Paulo da Portela e a Estação Morro do Outeiro, semidireto, parando na Praça Seca, no Tanque e na Taquara. Cada usuário compra até 10 bilhetes por dia, o QR Code aparece no app uma semana antes e vale só para a data escolhida. As gratuidades do sistema Jaé não valem aqui. Ao desembarcar, o público troca o QR Code por uma pulseira individual numa tenda perto da entrada.
Fiz a conta que interessa. A tarifa do metrô segue em R$ 7,90 por trecho, então ida e volta de metrô mais BRT sai por R$ 44,80. Menos do que muita gente paga só de estacionamento em noite de festival. As linhas 1 e 4 circulam entre Uruguai e Jardim Oceânico, a linha 2 faz Pavuna e Botafogo, com transferência disponível no trecho compartilhado entre Central do Brasil e Botafogo. Guarde esta parte: a integração com o serviço especial acontece exclusivamente no Jardim Oceânico. Vicente de Carvalho não tem ligação direta, e quem descobrir isso na hora vai chorar.
Para quem prefere pagar por conforto, o Primeira Classe já está à venda pela Ticketmaster e é a única modalidade que deixa o cliente numa entrada exclusiva dentro da Cidade do Rock, perto do palco New Dance Order. São ônibus executivos sem parada, com 20 pontos de embarque no Rio de Janeiro e na Grande Rio e mais de 18 fora da cidade, incluindo Copacabana, Ipanema, Lagoa, Tijuca, Niterói, São Gonçalo, Nova Iguaçu e o RIOgaleão. A saída acontece entre 11h e 19h, com horário marcado, e o retorno é a partir das 22h, sem hora marcada, até duas horas depois do fim do Palco Mundo. Este ano a operação também vai buscar gente em São Paulo, Belo Horizonte, Campinas, Sorocaba, Poços de Caldas, Búzios, Cabo Frio, Macaé, Nova Friburgo, Petrópolis, Volta Redonda e mais um punhado de cidades.

E tem a parte que quase ninguém vai comentar. O Rock in Rio compensa 100% das emissões dentro da Cidade do Rock desde 2006, e agora, em parceria com a AXIA Energia, a conta passa a incluir o deslocamento de todo mundo que passar pelo evento. A estimativa é neutralizar cerca de 50 mil toneladas de CO2, o equivalente a tirar 18.826 carros a combustível de circulação por um ano no Brasil. São 15 mil mudas doadas, 43.672 toneladas compensadas por créditos de carbono da Usina Hidrelétrica Teles Pires, 4 mil certificados de energia renovável e mais de 1 milhão de sementes doadas. Durante o festival, uma equipe vai aplicar questionários no público para mapear como cada um chegou ali.
Desliguei o telefone com o sol já dentro do mar e pensei o seguinte. Line up qualquer festival grande consegue montar com talão de cheque. Difícil é resolver como 100 mil pessoas entram, saem, pagam a passagem e voltam para casa às três da manhã sem virar caso de polícia. Isso aqui tem nome, e o nome é turismo de entretenimento. É gente sentada numa sala pensando no trajeto do fã desde a porta de casa até a volta, incluindo o carbono que ele gastou no caminho. Ibiza faz isso há décadas e cobra caro para fingir que inventou. O Rio de Janeiro está fazendo por R$ 44,80 ida e volta. Brindei ao rochedo.