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Kátia Flávia
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Roberto Jefferson tenta fugir de indenização após ataque com granadas e revolta agente da PF

Karina Lino Miranda de Oliveira foi ferida na cabeça, no braço e no quadril durante cumprimento de mandado contra o ex-deputado

Kátia Flávia

19/06/2026 15h00

Roberto Jefferson foi condenado a pagar indenização a agente da Polícia Federal

Roberto Jefferson foi condenado a pagar indenização a agente da Polícia Federal

A agente da Polícia Federal Karina Lino Miranda de Oliveira quer aumentar em R$ 100 mil a indenização que Roberto Jefferson foi condenado a pagar por danos morais. O ex-deputado já recebeu decisão desfavorável para desembolsar R$ 200 mil, mas, segundo a coluna de Ancelmo Gois, ainda não efetuou o pagamento.

Eu deixei a mala aberta em cima da cama, dei uma ordem para a Aurora não deitar nas roupas pretas e fui resolver uma última pendência antes de pegar a estrada, quando essa história apareceu com cheiro de processo velho e argumento torto. Porque, minha filha, Roberto Jefferson atirou contra policiais com fuzil e granadas, feriu uma agente em serviço e ainda tenta empurrar a conta para o “risco da profissão”. A audácia não veio de táxi, veio de blindado.

Karina ficou ferida em 23 de outubro de 2022, durante uma operação da Polícia Federal em Levy Gasparian, no interior do Rio de Janeiro. A equipe foi ao local cumprir um mandado de prisão contra Roberto Jefferson, que reagiu à chegada dos agentes com tiros de fuzil e granadas. A policial acabou atingida na cabeça, no braço e no quadril.

A Justiça condenou o ex-deputado a pagar R$ 200 mil por danos morais à agente. Agora, Karina pede uma nova avaliação para aumentar esse valor em mais R$ 100 mil. O caso segue em disputa porque Jefferson também recorre da sentença.

E o ponto mais espinhoso está justamente no argumento da defesa. Entre os pedidos, Roberto Jefferson quer que a Justiça não reconheça sua responsabilidade civil indenizatória, alegando que o risco concretizado seria “inerente à atividade policial”.

Pois bem. Uma coisa é dizer que policial enfrenta risco na profissão. Outra, completamente diferente, é tentar tratar tiro de fuzil e granada contra agentes que cumprem ordem judicial como se fosse acidente de percurso. Tem defesa que parece escrita com a caneta mergulhada na cara de pau.

O episódio de 2022 foi um dos momentos mais graves da escalada de confronto de Jefferson com instituições. Na ocasião, ele resistiu à prisão por horas até se entregar. O ataque contra os agentes da PF virou um marco do caso e segue rendendo consequências na Justiça.

Karina, que estava trabalhando quando foi ferida, agora tenta ampliar a reparação. E a pergunta que fica é simples: se levar tiro e granada em cumprimento de mandado não gera responsabilidade civil para quem atirou, então o que mais precisa acontecer para a conta chegar?

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