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Kátia Flávia
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Roberto Carlos, o império de R$ 1 bilhão que não vem da música

O Rei completa 85 anos hoje cantando na cidade onde nasceu, mas o grosso da fortuna foi construído longe dos palcos. De gado Nelore a apartamento de R$ 6,8 milhões, a história que a música não conta.

Kátia Flávia

19/04/2026 11h30

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A fortuna do cantor não veio apenas da música, seu império foi diversificado ao longo de décadas para outros setores como mercado Imobiliário , cruzeiros temáticos e contrato com a TV Globo (Foto: Reprodução/Google Imagens)

Aqui em Bari, de manhã cedo, a senhora Giuseppina da padaria ao lado estava passando “Detalhes” enquanto colocava o pão pra fora. Perguntei se sabia quem era. Ela disse que era il re brasiliano. Fiquei com meu caffè na mão pensando: o homem completou 85 anos hoje, está em Cachoeiro de Itapemirim, cidade natal, com show montado, público na mão e uma fortuna que faria qualquer contador de feijão largar a planilha e pedir licença.

Roberto Carlos celebra o aniversário com um show especial na cidade onde nasceu, no Espírito Santo, e a data virou um inventário natural de tudo que o cantor construiu fora dos palcos. A fortuna estimada oscila entre R$ 870 milhões e R$ 1 bilhão, dependendo da fonte, e o caminho até esse número passa por imóveis de luxo em São Paulo, gado Simental campeão de leilão, cruzeiros temáticos com fãs à beira do oceano e um jato executivo Gulfstream G280 avaliado em R$ 120 milhões.

A Globo, que desde 1974 transmite o especial de fim de ano, renovou o contrato em 2025 até dezembro de 2027 com cachê estimado em R$ 10 milhões anuais, depois de uma negociação que chegou bem perto de encerrar cinquenta anos de tradição. Demorou, mas o acordo foi feito.

O capítulo imobiliário começou em 2011, quando Roberto entrou como sócio com 30% na Emoções Incorporadora e lançou o Horizonte JK, no Itaim Bibi, com 346 unidades. O apartamento mais barato naquele lançamento saía por R$ 756 mil; hoje o mesmo vale no mínimo R$ 1,5 milhão. Os projetos seguintes ganharam nomes das músicas: Harmonia da Vila, Ópera Vila Nova, Horizonte Flamboyant em Goiânia, Horizonte Jardins em Aracaju. Com o nome do Rei na fachada e no contrato, a incorporadora lançou R$ 1 bilhão em VGV. Em 2020, segundo a Exame, Roberto saiu da sociedade “para se concentrar na carreira de cantor”. No mesmo ano em que assinou com a incorporadora, estava num único leilão gastando cerca de R$ 5 milhões: comprou 50% dos direitos do touro King of Africa por R$ 768 mil, adquiriu embriões da vaca “Emotion” nos Estados Unidos e arrematou, com sócio, a Lady Cisca por R$ 1,8 milhão, considerada a matriz mais completa da raça Simental do mundo.
Tem uma coisa que a trajetória do Roberto Carlos ensina que nenhuma escola de negócios vai entregar em PowerPoint: o artista que sabe monetizar o próprio nome sem queimar o verniz é o artista que dura.

Enquanto outros do mesmo período passaram as últimas décadas vendendo participação em show de fundo de quintal, o Rei foi virar sócio de incorporadora, arrematar vaca de elite em leilão e lotar navio de cruzeiro com três mil fãs pagando até R$ 12 mil por cabeça. A renovação tensa com a Globo em 2025 foi o primeiro “fica aí esperando” que ele deu para a maior emissora do país depois de décadas de parceria. Funcionou. Cinquenta anos de tradição não estão disponíveis em nenhuma contraproposta.

A senhora Giuseppina continua passando “Detalhes” na padaria aqui em Bari, sem saber que o homem da música tem um jato de R$ 120 milhões, gado que vale apartamento em Pinheiros e uma namorada cujo nome ele recusou a entregar mesmo dentro de um navio com os fãs ao redor. Com essa blindagem toda, o Rei não está fazendo 85 anos. Está fazendo 85 jogadas certas.

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