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Kátia Flávia
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Rick morre aos 59: 10 motivos que fizeram dele um gigante do sertanejo

O parceiro de Renner escreveu músicas que marcaram outras duplas e ajudou a renovar a carreira de Gino & Geno. Seu legado vai muito além dos sucessos que cantou.

Kátia Flávia

22/09/2026 16h07

Rick foi muito além dos sucessos de Rick & Renner. Compositor, produtor e intérprete, ele deixou sua marca também nas carreiras de grandes nomes do sertanejo - Reprodução Instagram

Rick foi muito além dos sucessos de Rick & Renner. Compositor, produtor e intérprete, ele deixou sua marca também nas carreiras de grandes nomes do sertanejo – Reprodução Instagram

Estou em casa, no Cosme Velho, acompanhando as homenagens no Melhor da Tarde, na Band, e emocionada de verdade. A gente vê uma imagem, escuta um pedaço de música e lembra de outra época da vida. A morte de Rick, da dupla com Renner, aos 59 anos, após a queda de um helicóptero em Santa Catarina, foi confirmada nesta terça-feira, 22 de setembro.

E eu fiquei pensando: uma homenagem dessas precisa ir além do “vai fazer falta”. Fui olhar para a trajetória, para as músicas, para aquilo que sustenta o carinho. Separei dez motivos para lembrar de Rick sem precisar transformar a saudade numa competição entre artistas. Gigante não precisa diminuir ninguém.

1. Você cantava Rick mesmo quando ouvia outra dupla
“Página de Amigos”, com Chitãozinho & Xororó, “Agenda Rabiscada”, com Cleiton & Camargo, e “Sabor do Pecado”, com Leandro & Leonardo, têm Rick entre seus autores. É aí que a dimensão da história muda. Você podia conhecer a letra, pedir a música, se acabar de cantar e nem imaginar que ele estava por trás.

2. Ajudou a escrever a história de João Paulo & Daniel
Rick compôs “Só Dá Você na Minha Vida”, um dos primeiros grandes sucessos de João Paulo & Daniel, que ajudou a impulsionar a carreira da dupla. Pensa no que isso representa. A contribuição de um artista não termina no próprio disco; às vezes, ela vira um capítulo decisivo na vida profissional de outro.

3. Fez diferença para Gino & Geno longe do microfone
Além de escrever para Gino & Geno, Rick trabalhou como produtor nos discos que ajudaram a renovar o sucesso da dupla a partir de “Coração Cigano”, de 2000. Esse é o tipo de trabalho que merece sair dos bastidores numa homenagem. Porque nem tudo que constrói uma carreira aparece na frente do palco.

4. Como intérprete, tinha “Ela É Demais”
“Ela É Demais” marcou a explosão de Rick & Renner em 1998 e se tornou um dos símbolos da dupla. A composição é de Elias Muniz, e a distinção importa: aqui, o reconhecimento é para o intérprete. Eu não preciso entregar a Rick uma autoria que não era dele para admirar o que fez com aquela canção.[globo +1]

5. Colocou o amor de pai no repertório
“Filha” nasceu como uma homenagem aos 15 anos de Mônica Nascimento, sua primogênita. Aqui eu me emociono de novo. Antes de ser uma faixa para o público ouvir, existia uma filha recebendo uma música do pai. Tem coisa que não precisa de enfeite para tocar a gente.[globo]

6. Não sabia falar só de coração partido
Rick também escreveu músicas ligadas ao humor e ao universo caipira, como “Bebo Pa Carai”, “Jeito Caipira” e “Sou Feio Mas Tô na Moda”, gravadas por Gino & Geno. Portanto, nada de guardar o artista numa gavetinha de cantor romântico. Quando olho para esse repertório, vejo espaço para chorar de saudade e para dar risada.[publico]

7. Conhecia o trabalho muito antes da fama
Nascido no Tocantins, Rick se mudou com a família para Brasília ainda criança e começou a cantar em bares aos nove anos, ao lado de uma irmã. Não vou romantizar criança trabalhando na noite. Mas também não vou apagar o tamanho do caminho entre aquele começo e o reconhecimento nacional.[globo]

8. Sua trajetória negra merece ser lembrada por inteiro
Rick relatou publicamente situações de racismo e contou que conversava sobre essas experiências com João Paulo, em entrevista ao jornalista André Piunti. Uma homenagem não precisa apagar as partes difíceis para ser bonita. Lembrar sua presença como artista negro no sertanejo também é respeitar o que ele próprio decidiu contar.

9. A composição também virou ajuda a outros profissionais
“Acredite! Vai Passar”, composta por Rick, foi lançada em 2021 num projeto beneficente que arrecadou recursos para profissionais de eventos afetados pela pandemia. Prefiro esse exemplo a um elogio solto sobre generosidade. Tem uma ação concreta, uma finalidade e gente que precisava de apoio.

10. Os colegas se despediram de um amigo
Bruno & Marrone o chamaram de “irmão de estrada”, Rionegro escreveu que continuaria cantando suas músicas e Grelo lamentou a perda de uma “grande referência”. Nessas despedidas, o reconhecimento vem acompanhado de afeto. Não preciso inventar intimidade de camarim quando as palavras públicas já dizem tanto.

Continuo aqui, emocionada. Mas não quero terminar falando do acidente. Quero terminar falando de música, porque é nela que essa história continua. Da próxima vez que uma dessas canções tocar, lembre também de quem ajudou a colocá-la no mundo. Rick merece ser lembrado com o volume alto.

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