Rexona colocou Marta nos telões da Times Square e comprou de uma vez só o ativo mais valioso do futebol brasileiro antes que alguém percebesse o preço. A marca, que é patrocinadora oficial da Copa do Mundo Feminina da FIFA 2027, anunciou a Rainha como nova embaixadora e lançou a estratégia “O Último Suor” em Nova York, com a própria atleta assistindo à homenagem ao vivo. O filme fecha com a assinatura em português, “O Último Suor Começa Agora”. Traduzindo do marketês para o português das amigas: compraram o legado inteiro, com direito a epílogo.
A escolha do endereço foi calculada com régua e compasso. A Times Square recebeu milhares de torcedores durante a Copa do Mundo da FIFA 2026 e virou o corredor de passagem simbólico para 2027, que acontece dentro de casa. Ou seja, a Unilever pegou o rescaldo de um mundial masculino recém-encerrado e usou como trampolim para o feminino, sem gastar nem um centavo a mais de mídia espontânea. Isso é o que a Faria Lima chama de eficiência de capital, e o resto de nós chama de esperteza pura.
O casting corporativo aqui merece uma análise à parte. Andreza Graner, diretora de Marketing da Unilever, encaixou a campanha na plataforma “Nunca Te Abandona” que a marca já vinha rodando, conectando legado, suor e a tal intensidade com que Marta segue escrevendo a própria história. Rexona entrou no futebol feminino na Copa de 2023 e agora chega em 2027 com embaixadora, TV, redes sociais e OOH nas cidades-sede. Quem entrou cedo nesse mercado pagou barato, e quem vai entrar agora vai descobrir na planilha que o ingresso subiu.

Eu recebi o comunicado no meio de um almoço no Leblon, entre a segunda taça e a terceira crise alheia, e larguei o garfo. Não é todo dia que uma marca de antitranspirante consegue emplacar a palavra “legado” sem ninguém rir. Aqui a mesa aplaudiu de pé.
Meu veredito sai com juros: Marta tem mais de 25 anos de carreira, seis títulos de melhor jogadora do mundo pela FIFA e é a maior artilheira da história das Copas femininas, e ainda assim o mercado brasileiro demorou uma eternidade para tratá-la como o ativo bilionário que sempre foi. Rexona chegou primeiro na fila do caixa e vai colher isso durante todo o ciclo de 2027. Quem ficou olhando de longe, meu bem, vai pagar o dobro no ano que vem e ainda vai achar que fez um bom negócio.