Estava em casa, no Cosme Velho, acompanhando as transmissões do dia, quando uma fonte de dentro do Congresso me ligou com o relato do que tinha acabado de acontecer nos corredores de Brasília. Não era rumor de bastidor, era constrangimento ao vivo e a cores.
A renomada repórter Heloísa Villela, do ICL Notícias, fazia uma transmissão ao vivo quando foi abordada por uma mulher que circulava pelo Congresso e resolveu interromper o trabalho dela para acusá-la de divulgar fake news. Heloísa respondeu com calma e precisão: a reportagem tratava de um projeto de lei que inclui progressão de pena para todos os crimes, e não apenas para os casos do 8 de janeiro, como a mulher insistia em afirmar. A desconhecida continuou gritando mesmo assim.
O pano de fundo é o de sempre: desinformação circulando livremente, onde um deputado mente, o eleitor acredita, e o jornalista que apura a verdade vira o vilão da história. A Heloísa não estava opinando, estava reportando um projeto de lei em andamento, com microfone, câmera e o básico do ofício. Ninguém a convidou para debater, mas alguém decidiu que podia decretar o que era verdade ali, no meio da cobertura.
O vídeo do episódio circulou com repercussão imediata, especialmente entre jornalistas que reconheceram na cena algo que já viveram ou viram de perto. A âncora do ICL encerrou o assunto com firmeza, recusando dar mais palco à situação, e Heloísa voltou ao ar logo em seguida para continuar o trabalho, exatamente como se faz.
Intimidar repórter em transmissão ao vivo não é debate, não é liberdade de expressão e certamente não é argumento. É a velha tentativa de fazer o jornalismo calar a boca no exato momento em que ele está fazendo o que tem que fazer.
Confira o vídeo: