O medicamento experimental que será usado no tratamento de Lito Sousa já está no Brasil. O ALN-6457 desembarcou de Nova York na noite de sexta-feira (11) e seguiu diretamente para o Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, numa operação montada para reduzir ao máximo o tempo entre o pouso e a chegada da medicação ao paciente.
E essa foi a notícia que melhorou meu domingo. Eu estava saindo do restaurante e indo atrás de uma doceria, porque ninguém é de ferro, quando li tudo. Fiquei feliz de verdade. Quem acompanha o que Lito e a família estão enfrentando sabe o tamanho que uma possibilidade dessas ganha.
A pressa tinha motivo. Segundo informações da Receita Federal, o potencial terapêutico do produto diminui com o passar das horas. A carga foi liberada poucos minutos depois de chegar ao Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, retirada da aeronave e colocada em um helicóptero com destino ao hospital. A operação havia sido preparada com participação da Anvisa.
Lito, de 59 anos, foi diagnosticado com a doença de Creutzfeldt-Jakob, uma condição cerebral degenerativa rara e de rápida progressão. O ALN-6457 não tem registro comercial nem representante legal no Brasil. A importação ocorreu por fluxo excepcional depois que o influenciador foi aceito em um programa de uso compassivo.
E aqui é importante segurar a emoção junto com a informação: estamos falando de um tratamento experimental, não de uma cura anunciada. Segundo o material divulgado, a substância ainda não tem estudos formalmente iniciados em seres humanos especificamente para a doença priônica. Também não foram informados detalhes de como o tratamento de Lito será realizado.
Mas hoje eu vou entrar nessa doceria um pouquinho mais feliz. A família correu atrás de alternativas, a medicação atravessou fronteira, Receita e Anvisa participaram da operação e o remédio chegou ao hospital. Para quem está lutando contra uma doença tão agressiva, conseguir chegar até essa possibilidade já é uma notícia enorme.