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Kátia Flávia
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Receita com câimbra: Deolane Bezerra movimentou R$ 140 milhões em dois anos

Promotor Lincoln Gakiya afirma que influenciadora não comprovou serviços para justificar o volume financeiro

Brenno

22/05/2026 17h30

Deolane Bezerra foi presa durante operação que investiga lavagem de dinheiro ligada ao PCC

Deolane Bezerra foi presa durante operação que investiga lavagem de dinheiro ligada ao PCC

Deolane Bezerra movimentou R$ 140 milhões em apenas dois anos, segundo o promotor Lincoln Gakiya, do Ministério Público de São Paulo, e não apresentou comprovação de serviços prestados que justificasse o volume financeiro. Eu estava saindo de uma ligação atravessada com uma fonte do meio jurídico, daquelas em que a pessoa fala baixo como se o telefone também pudesse depor, quando apareceu o dado que muda o tamanho da história. R$ 140 milhões. Em dois anos. Fechei a porta do carro, pedi silêncio por dez segundos e só consegui pensar que aquilo já não era mais extrato bancário: era um enredo inteiro desfilando na frente da Receita Federal com bateria, comissão de frente e carro alegórico.

Em entrevista à CNN, Gakiya afirmou que a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Deolane nos últimos cinco anos identificou grande volume de renda não declarada e pulverização de recursos em diversas contas de pessoas jurídicas. “Ela não tem absolutamente nenhuma comprovação de serviço prestado, sendo de advocacia ou de outra forma que justifique esse numerário”, disse o promotor.

A influenciadora e advogada foi presa durante a Operação Vérnix, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital, o PCC. Após audiência de custódia, a Justiça manteve a prisão preventiva dela.

Segundo Gakiya, Deolane chegou a ter 35 empresas abertas em Martinópolis, na região de Presidente Prudente, com endereços registrados em um conjunto habitacional de baixa renda e apontados como falsos pela investigação. Outras 15 empresas teriam sido abertas em Santo Anastácio, e o mesmo padrão também teria se repetido na região de Ribeirão Preto.

Para o promotor, essa estrutura foi criada para tentar despistar as autoridades, inclusive a Receita Federal, e sustentar a versão de que o dinheiro teria origem em atividades nas redes sociais. A investigação afirma que a influenciadora fazia parte da arquitetura financeira do PCC desde pelo menos 2022.

Gakiya também disse que Deolane mantinha proximidade pessoal com familiares de Marcola e de Alejandro Camacho, irmão do líder da facção. Segundo ele, há fotos da influenciadora em aniversários, viagens e encontros ligados à família de Alejandro.

No meio dessa avalanche, Deolane ainda falou rapidamente com jornalistas ao deixar o DHPP, em São Paulo. Ao ser perguntada se estaria lavando dinheiro para Marcola, rebateu: “Trabalhando”, antes de entrar no carro da polícia.

A frase virou munição imediata nas redes, claro, porque a internet brasileira não perdoa nem vírgula em saída de delegacia. Mas o ponto central agora é outro: R$ 140 milhões movimentados, dezenas de empresas, suspeita de endereços falsos, relação apontada com operadores financeiros e uma investigação que deixou de ser fofoca de famoso faz tempo.

Minha fonte ainda tentou resumir o caso em linguagem técnica, mas eu só conseguia pensar na Receita Federal olhando esse extrato como quem vê um animal mitológico atravessando a sala. Deolane sempre foi personagem de barulho, ostentação e manchete. Agora, segundo o Ministério Público, virou peça de um tabuleiro muito maior. E quando a conta chega em R$ 140 milhões, minha filha, nem legenda com emoji de luxo consegue explicar sozinha.

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