Antes dos números, dos palcos e da audiência milionária, existe uma história que começa no interior de Minas Gerais e que, como tantas outras, poderia ter sido interrompida no meio do caminho. Mas não foi. Rebeca Nonatto, que hoje encontra-se ascensão no sertanejo e possui uma carreira consolidada como artista digital, construiu seu nome a partir de um momento de ruptura. Mãe solo, ela viu sua estrutura financeira desmoronar após uma traição. Perdeu bens, estabilidade e direção. Mas durante todo esse processo, ganhou algo que se tornaria o eixo de toda a sua trajetória: autonomia.
“Perdi toda a minha estrutura financeira, que eu tinha construído com muito trabalho, na época. Carro, apartamento, investimentos… Mas ganhei uma nova perspectiva. Aprendi a olhar para a solução. Porque eu precisava me reerguer. Às vezes olho pra trás e nem sei como consegui. Mas consegui. Ganhei uma força que eu nem sabia que tinha”, relembra.
Foi desse período de grande necessidade que nasceu a virada. Sem esperar por ajuda externa, Rebeca transformou o Instagram em ferramenta de reconstrução. Em menos de dois meses, alcançou 200 mil seguidores. Hoje, ultrapassa a marca de 1 milhão. Mais do que números, construiu uma comunidade e, a partir dela, um método. “O Instagram é o povo. No Brasil é a rede que mais funciona, que mais conversa com as pessoas. E eu usei essa ferramenta pra impulsionar meu trabalho”, afirma.


Mas a história de Rebeca começa muito antes da internet. Natural do Vale do Jequitinhonha, ela carrega na fala e na memória o peso afetivo de uma região muitas vezes associada à escassez, mas que, para ela, representa abundância emocional. Mais tarde, a cantora morou também em Airoes, próximo à Viçosa, onde começou a trabalhar com música de forma mais profissionalizada.
“Por mais pobre que seja o Vale, as famílias são riquíssimas. Você sempre come o melhor feijão escaldado da vida, a melhor carne de sol que existe, com mandioca cacau desmanchando na boca, enquanto tece aquela conversa mais cativante por horas. O vale é repleto de figuras espetaculares! Pessoas puras, de alma e de coração. E eu carreguei comigo algumas dessas raízes”, conta a cantora que também cresceu em um ambiente cristão, além de musical.
Como ela gosta de dizer, a conexão com a arte surgiu desde cedo e nunca mais foi interrompida. “Eu venho de um berço cristão e de músicos. E sempre senti que a música estava na minha história, eu só precisava conta-la. Aí eu comecei. Nos bares, nos pubs, e a coisa foi escalando”, relata. Uma carreira que começou aos 14 anos e persistiu sem atalhos.
Da dor à música: a construção de um negócio
Se a música foi uma escolha, a maternidade trouxe a urgência. Como mãe solo, a possibilidade de falhar simplesmente não existia. “Quando a gente tem um CPF totalmente dependente de nós, a gente se vira como dá. Principalmente porque não há outro meio, ou é dar certo ou dar certo. Não existe a possibilidade da falha. Aí a gente dorme pouco, trabalha muito. Mas ao fim do dia, ganha aquele beijinho na bochecha que faz tudo valer a pena”, relata a cantora sobre seu filho.
Esse senso de responsabilidade moldou não só suas decisões, mas também a mentalidade de Rebeca diante dos desafios: “Eu parei de esperar as coisas acontecerem, e comecei a criar possibilidades. Comecei a selecionar melhor as pessoas ao meu entorno, cuidei da minha cabeça, comecei a ler mais… E nunca tive medo de desagradar. Eu ia mesmo assim.”
A experiência pessoal se tornou matéria-prima artística. No sertanejo, gênero conhecido por traduzir vivências reais, Rebeca encontrou espaço para transformar sua dor em narrativa.
Mas a construção não parou na música. Ao perceber que outras mulheres buscavam caminhos semelhantes ao seu, criou o InstaDona, método voltado para crescimento e monetização no Instagram, especialmente para mães e mulheres em busca de independência financeira. “O InstaDona fala com mulheres. E existem cargas invisíveis que só a mulher carrega. E por ser mulher, consigo entender. O caminho que muitas estão passando hoje, foi o caminho que eu percorri lá atrás”, conta.
Entre palcos, telas e identidade
A artista que começou em bares e pubs hoje soma conquistas que incluem uma turnê na Europa, lançamento de DVD e participação no cinema. Entre elas, uma experiência se destaca. “A ida pra Europa. Sair do Brasil através da música foi algo que me marcou profundamente. Porque todo o resto pode acontecer aqui mesmo. Mas receber um convite pra cantar em vários países sem dúvida foi o mais marcante pra mim, que até então nunca tinha saído do Brasil”, declara.
Apesar da ascensão digital, Rebeca reforça que sua essência permanece na música. “Eu sou cantora e artista. O meu foco todo dia é mostrar os dois mundos: o de artista digital e o de cantora sertaneja”, pontua.
Sem seguir tendências ou fórmulas prontas, Rebeca define sua identidade com simplicidade e convicção ao afirmar que não faz questão de seguir trends ou fazer coisas puramente por estarem em alta. “Eu só faço a música que eu gostaria de ouvir e não tenho pressa pra caber num formato específico”, ressalta.
Com o crescimento rápido, vieram também opiniões, mas nenhuma capaz de desviar seu foco. “Eu não lidei (com haters). Elogios e a críticas eu coloco todas num mesmo saco. As coisas só tem o poder que a gente dá a elas. Elogios demais te envaidecem e fazem você se perder. Críticas demais só vem de quem te conhece pouco. Então o segredo é não ouvir”, aconselha.
Hoje, com múltiplas frentes de atuação, a cantora segue expandindo sua carreira sem abrir mão do seu propósito. “Meu filho. Tudo que eu quero proporcionar pra ele e tudo que eu pretendo realizar para os meus”, destaca.
Os próximos passos já estão definidos com projetos musicais e digitais. E, apesar da trajetória marcada por superação e ambição, o sonho que carrega é simples. E profundamente simbólico: “Uma casa num lugar bem alto com uma vista bonita, com uma mesa de madeira onde eu possa tomar meu café da manhã com os meus.”
Ao olhar para trás, a própria Rebeca reconhece a distância entre quem foi e quem se tornou. Entre novos projetos digitais e lançamentos musicais, ela resume sua essência com a precisão de quem sabe exatamente quem é: “Canto. Escrevo. Sou mãe. Sou arte!”
E talvez seja exatamente isso que transforme sua história em algo maior do que uma trajetória de sucesso, a capacidade de reconstruir, sem atalhos, aquilo que um dia foi perdido. E ainda assim seguir em frente, cantando.