Ratinho admitiu que não gosta de apostas, mas afirmou que ainda faz publicidade para casas de bets. Em conversa com Sergio Mallandro no podcast “Papagaio Falante”, o apresentador do SBT explicou a contradição com uma sinceridade que deixou a internet de queixo caído: “Faço porque se eu não fizer, o outro vai fazer. O mundo está com bet aí, fazer o quê?”.
Eu guardei o que sobrou do almoço em um pote de vidro, empurrei a porta da geladeira com o quadril e fui atrás dessa fala. Minha gente, Ratinho resolveu resumir o dilema das celebridades que anunciam aposta em uma frase: não gosta, não joga, não recomenda, mas faz a propaganda porque alguém fará.
“Eu não sou de jogar, nem gosto de jogo, mas ainda faço propaganda de bets. Eu não gosto muito de fazer, mas faço”, declarou. Em seguida, reforçou: “Eu pessoalmente não gosto de jogo”. Ou seja, a consciência está avisando uma coisa, o contrato está dizendo outra e o intervalo comercial segue normalmente.
Eu fechei a geladeira e pensei que essa é a sinceridade mais desconcertante possível. Não veio um discurso sobre diversão responsável, não veio uma defesa apaixonada do setor e nem uma tentativa de parecer apostador profissional. Veio o velho “fazer o quê?”, como se a bet fosse uma tempestade e o apresentador estivesse apenas tentando atravessar a rua.

Na mesma conversa, Ratinho contou uma história antiga envolvendo Gil Gomes, que morreu em 2018. Segundo ele, o repórter teria ficado preso em um cassino no Paraguai por uma dívida de cerca de R$ 12 mil, e Ratinho resolveu pagar o valor sem que Gil soubesse quem o ajudou.
Eu fui para a sala com o celular na mão e achei que o podcast entregou dois Ratinho completamente diferentes: o homem que paga discretamente a dívida de um colega e o homem que admite fazer propaganda de algo de que nem gosta porque “o outro vai fazer”. É quase uma tese sobre moral brasileira em duas horas de entrevista.

O apresentador também disse que, algum tempo depois, Agnaldo Timóteo o procurou para avisar que Gil Gomes estava havia seis meses sem pagar o aluguel. A dívida, segundo Ratinho, teria chegado a R$ 18 mil. Ele não detalhou no trecho divulgado qual foi o desfecho desse segundo pedido.
Eu me sentei no sofá e fiquei olhando para a frase das bets. Porque o ponto não é Ratinho esconder que trabalha com publicidade; é assumir que não aprecia o produto, mas considerar a presença dele tão inevitável que a melhor justificativa seria não deixar o dinheiro para outra pessoa.
Ratinho saiu do podcast com duas histórias que explicam bastante sobre ele: uma de generosidade com Gil Gomes e outra de pragmatismo brutal sobre as bets. Entre pagar dívida de amigo e anunciar algo que não gosta, o apresentador mostrou que sua sinceridade continua sem manual de instruções.