Segunda-feira chegou e eu ainda estava deitada, completamente destruída, com o celular na mão e a academia sendo um sonho distante e irresponsável. Ia, juro que ia, mas o Fantástico de ontem me prendia no travesseiro com uma força que nenhum personal do Rio consegue vencer. Liguei a TV, e ali estava Rafa Kalimann, de blusa rosinha, cabelo liso, cara de quem foi ao programa mais importante da Globo para explicar tema de trabalho de escola.
A história toda começou com o primeiro episódio de “Tempo para Amar”, série documental da Rafa exibida no GNT e disponível no Globoplay, que mostrou Nattan sumido emocionalmente na reta final da gravidez dela. Ela sozinha, sentindo falta do marido, ele foi para um pagode com os amigos. A internet foi ao chão, o cantor virou réu sem direito a defesa, e a Rafa correu ao Fantástico no domingo, dia 17, para uma entrevista de controle de dano que durou mais do que o próprio episódio.
No programa, ela foi didática demais para quem diz que não planejou nada: nunca disse que foi abandonada emocionalmente, ressaltou que ela mesma não sabia pedir ajuda, que Nattan era exatamente como sempre foi, e que ela quem esperava mais sem conseguir verbalizar o que queria. Depois ainda elogiou o marido como pai transformado, disse que a relação está mais forte do que nunca e que a gravidez é parceria de família. Discurso redondinho, bem montado, de mulher que releu o roteiro antes de sentar na cadeira do Fantástico.
Nas redes, a internet ficou com aquela cara de quem assistiu a um trailer que prometia muito mais do que o filme entregou. Uma parte do público aplaudiu a coragem de expor a vulnerabilidade sem filtro. A outra parte, a mais divertida de acompanhar, perguntou em coro: então pra que o documentário? O fandom do Nattan respirou aliviado com o pronunciamento oficial; o da Rafa ficou sem saber se vibrava com a transparência ou torcia o nariz para o recuo.
Eu entendo a estratégia, entendo o projeto, entendo a necessidade de proteger o marido depois que a web o executou antes mesmo do segundo episódio. Mas a Rafa abriu a porta, acendeu todas as luzes, mostrou a sala bagunçada para o Brasil inteiro e depois chegou no Fantástico explicando que aquilo era só decoração contemporânea. Querida, a coluna não nasceu ontem, e nem você.