Menu
Kátia Flávia
Kátia Flávia

Quem foi Edson Café, o talento do Raça Negra que embalou o auge do grupo nos anos 90?

Kátia Flávia

06/06/2025 10h30

A história de um músico brilhante que viveu o sucesso, enfrentou o vício e lutou até o fim nas ruas de São Paulo

A história de um músico brilhante que viveu o sucesso, enfrentou o vício e lutou até o fim nas ruas de São Paulo

Pouca gente reconhece de imediato o nome Edson Bernardo de Lima. Mas ao dizer “Edson Café”, os fãs mais antigos do Raça Negra lembram de um dos músicos que ajudaram a construir o som que embalou o Brasil nos anos 1990. Com 69 anos, Café morreu no domingo (1º/6), após ser encontrado desacordado em uma rua da zona leste de São Paulo. Mas sua história vai muito além do desfecho triste.

Café tocava violão e percussão, dois pilares do samba romântico que marcou uma geração. Ele esteve presente no auge do Raça Negra, quando hits como Cheia de Manias, Cigana e Me Leva Junto com Você dominavam as paradas e transformavam a banda em fenômeno nacional.

A trajetória dele, porém, foi interrompida de forma trágica. Após sofrer um acidente vascular cerebral (AVC) que comprometeu os movimentos dos braços, Café se afastou dos palcos e enfrentou um processo doloroso: o vício em drogas.

Entre tentativas de reabilitação e recaídas, Edson viveu períodos difíceis, morando nas ruas de São Paulo e do Rio de Janeiro, tentando se manter ativo com pequenos trabalhos, como vigiar carros nas praças e tocar esporadicamente.

c6e87ec0645ef895ef77b0091afa13c8

Mesmo enfrentando a marginalização, nunca deixou de lutar contra o vício e buscava, com dificuldade, manter algum vínculo com a música e com a dignidade. Em entrevistas concedidas nos últimos anos, falava abertamente sobre sua situação e demonstrava mágoa com os ex-companheiros do Raça Negra.

“Falaram que não iam me dar dinheiro porque sabiam que, depois do meu envolvimento com a drogadição, eu iria gastar meu dinheiro todinho com droga. Não importa, o dinheiro é meu, eu faço o que eu quero. Se eu tenho direito de receber, eu quero receber”, desabafou à imprensa em 2020.

Em outro momento, revelava o dilema diário de quem vive nas ruas: “Se eu ficar aqui, fico querendo escrever ou então me drogar. Vou ficar enfiado na Cracolândia aí do lado. Eu prefiro sair, dar um rolezinho. E ganhar um dinheirinho. Tomo conta de carro na praça.”

Apesar do isolamento, teve o carinho de alguns fãs e conhecidos que, por anos, tentaram ajudá-lo a sair das ruas. Um deles chegou a acolhê-lo em casa, oferecendo abrigo e cuidado. Ainda assim, a instabilidade emocional e o histórico de dependência falaram mais alto.

Agora, com a partida de Edson Café, o Brasil perde não apenas um artista talentoso, mas também um símbolo de como a fama pode ser efêmera e o abandono cruel. Seu legado está gravado nos discos do Raça Negra e na memória de quem viu e ouviu esse músico brilhar nos anos dourados do grupo.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado