GH Rell RJ, streamer conhecido por fazer transmissões ao vivo pelas ruas do Rio de Janeiro, virou o centro de uma polêmica após abordar João Victor Gonçalves, ator de “Quem Ama Cuida”, no entorno do Rock in Rio. A live teve comentários sobre a aparência e a roupa do artista, gerou denúncia de homofobia, pedidos de desculpas, acusação de racismo e uma investigação aberta pela Polícia Civil.
Eu ainda estava no sofá da sala, com as janelas abertas para aquele domingo cinzento entrar no Cosme Velho, quando fui procurar quem era GH Rell RJ. Porque, até anteontem, ele fazia conteúdo para o próprio público; agora, está no centro de uma discussão nacional que envolve Globo, Rock in Rio, Polícia Civil, Ministério Público e um vídeo que ninguém consegue desver.
O perfil de GH na Kick é voltado ao formato IRL, sigla para “In Real Life”, em que o criador transmite situações do cotidiano em tempo real. Os títulos das lives já explicam a proposta: “Marolando pelas ruas do RJ”. Ele circula por ruas, bares, transporte público e outros espaços da cidade, conversa com quem assiste e, em algumas ocasiões, aborda pessoas que encontra pelo caminho.

Segundo o UOL, GH tem mais de 20 mil seguidores e 1 milhão de curtidas no TikTok. Na Kick, o canal ganhou atenção acelerada após a repercussão do caso: as transmissões recentes mostram picos muito acima da audiência habitual. Eu peguei o celular e pensei naquela velha fórmula de internet: uma live pequena encontra o corte certo, o corte explode, e de repente a pessoa está sendo discutida por quem nunca soube que ela existia.
A fama repentina, porém, veio pelo pior motivo. Na madrugada de sexta-feira, GH e amigos encontraram João Victor nas proximidades da Cidade do Rock. Durante a live, fizeram comentários sobre o visual do ator. “Cara horroroso. Cara meteu um tomate”, diz o grupo no vídeo, enquanto João Victor se afasta e acelera o passo.
João Victor afirmou que se sentiu acuado e classificou a abordagem como homofobia. GH inicialmente pediu desculpas, afirmando que fazia “entretenimento” de rua e que poderia ter errado. Depois, reapareceu dizendo que não teve intenção homofóbica, que a crítica era à roupa e que continuava sem gostar da calça usada pelo ator. Eu ajeitei a almofada do sofá porque, meu amor, existe uma distância enorme entre não gostar de uma roupa e transformar uma pessoa em alvo de uma transmissão ao vivo.

Em um segundo pronunciamento, GH também acusou João Victor de racismo. Ele questionou a fala do ator de que teve medo de ser roubado durante a abordagem: “Por que você estava com medo de ser roubado? Por causa da minha cor? É porque eu sou preto?”. O streamer afirmou ainda que passou a receber ataques racistas e que familiares foram ofendidos nas redes.
O caso não deve ser resolvido por torcida de comentário. João Victor tem o direito de denunciar a homofobia que afirma ter sofrido; GH tem o direito de denunciar ataques racistas que diz receber. A Polícia Civil do Rio, por meio da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância, a Decradi, abriu investigação para apurar o episódio mesmo sem um registro formal inicial do ator.
Eu fiquei olhando a neblina subindo pelo morro e pensando em como o termo “conteúdo de rua” precisa de limites muito claros. A rua não é cenário particular de live; quem passa por ela não virou elenco só porque alguém decidiu ligar a câmera. GH Rell RJ ganhou fama no meio de um caso grave. Agora, terá de lidar com uma exposição muito maior do que qualquer “marolada” pelas ruas do Rio.