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Kátia Flávia
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Quem é Flavia Machioni, escritora estreante que cravou o topo da lista da Veja

A Cozinha que Existe em Mim, da Editora Gente, chegou ao primeiro lugar em Autoajuda e Esoterismo menos de um mês depois do lançamento. E no meio dessa história tem um pão francês comido em Salvador.

Kátia Flávia

26/10/2026 11h30

Flavia M. Machioni alcançou o primeiro lugar na lista de mais vendidos da Veja com seu livro de estreia.

Flavia M. Machioni alcançou o primeiro lugar na lista de mais vendidos da Veja com seu livro de estreia.

Eu estava em casa, no Cosme Velho, organizando a semana com o café ainda quente, quando uma amiga do mercado editorial me ligou. Atendi achando que vinha reclamação de lançamento atrasado. Veio uma estreante no topo da lista da Veja. Larguei a xícara na pia e pedi para ela repetir o nome.

A estreante é Flavia M. Machioni. O livro, A Cozinha que Existe em Mim, saiu pela Editora Gente e levou menos de um mês para alcançar o primeiro lugar na categoria Autoajuda e Esoterismo da lista de mais vendidos da revista. Livro de estreia, gente. Tem autor com dez títulos na estante que nunca viu essa posição.

Flavia não caiu de paraquedas no assunto. A relação dela com a saúde começou ainda na adolescência, quando perdeu o pai para um câncer de intestino. Anos depois, enfrentando as próprias dificuldades digestivas e restrições alimentares, foi para a cozinha procurar respostas e, em 2012, criou o blog Lactose Não, que virou carreira. Formada em Comunicação Social, com habilitação em Relações Públicas, ela estudou gastronomia no Natural Gourmet Institute, em Nova York, e no Centro Europeu, aqui no Brasil, e passou a dar cursos e ensinar receitas.

Agora vem a parte boa, e é ela que explica a lista. Enquanto a carreira crescia, Flavia começou a desconfiar da própria disciplina. Depois de anos seguindo restrições e tentando fazer tudo certo, percebeu que aquele cuidado com a comida vinha carregado de medo, vigilância e autocobrança. A virada tem endereço: Salvador. Depois de uma reavaliação médica, ela voltou a comer um pão francês, e o pãozinho de padaria trouxe a infância inteira de volta.

Foi esse gesto que levou Flavia a estudar comportamento alimentar, hábitos e autocuidado, e é daí que sai o livro. Ele mistura autobiografia, reflexão e receitas em volta de uma pergunta que muita gente conhece de cor: por que saber o que faz bem nem sempre basta para colocar em prática? A tese da escritora é que todo mundo tem uma cozinha interna, onde emoções, experiências e escolhas também são processadas.

Uma professora de alimentação saudável contando em livro que passou anos com medo do próprio prato, e que a paz começou num pão francês? Eu leria na hora. Pelo visto, muita gente pensou igual, porque lista da Veja não dá primeiro lugar por simpatia.

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