O imóvel onde Marcos Matsunaga foi morto por Elize Matsunaga, em 2012, está anunciado à venda por R$ 2,8 milhões. A cobertura na Vila Leopoldina, Zona Oeste de São Paulo, reúne luxo, estrutura de segurança e um histórico criminal que continua marcando o endereço mais de uma década depois.
Saí do saguão de Ibiza com a mala azul-marinho de fita laranja, entreguei a bagagem ao motorista do transfer e me acomodei no banco de trás rumo ao The Standard, em Ibiza Town. Quando os detalhes do apartamento começaram a aparecer na tela, eu até ajeitei os óculos escuros: isso não é uma visita imobiliária comum. É uma propriedade de alto padrão atravessada por uma história que não pode ser tratada como mera curiosidade de decoração.

O anúncio descreve uma cobertura conhecida como triplex, com 370 m² e formada pela junção de duas unidades. São cinco suítes, salas amplas, piscina privativa, sauna seca, lareira e um terraço com churrasqueira e vista panorâmica. O prédio foi construído nos anos 1990, mas o apartamento recebeu intervenções que deixaram o espaço com uma configuração muito particular.
O detalhe mais impressionante é o chamado quarto do pânico, escondido atrás de um armário. Segundo as informações divulgadas, o cômodo tem portas blindadas, ar-condicionado independente e uma linha telefônica reservada para emergências. Um imóvel que vendia exclusividade e proteção acabou associado a um dos crimes mais chocantes da crônica policial brasileira.
Foi na sala de estar da cobertura que Marcos Matsunaga foi morto, em 19 de maio de 2012, após uma discussão entre o casal. Elize foi condenada por homicídio qualificado e ocultação de cadáver; a pena, inicialmente de 19 anos e 11 meses, foi reduzida pelo STJ para 16 anos e três meses. Ela está em liberdade condicional desde 2022.
Eu olhei pela janela do transfer, vendo a paisagem seca da ilha passar, e pensei que há um limite muito claro entre contar os detalhes de um imóvel e transformar uma tragédia em atração. O quarto escondido, a piscina e as cinco suítes ajudam a entender o tamanho da propriedade, mas não diminuem a gravidade do que aconteceu ali nem a perda da família de Marcos.
A venda também encerra uma disputa patrimonial. Marcos havia transferido uma parte do bem a Elize em 2008, mas ela perdeu o direito sobre o imóvel após a condenação. A titularidade passou aos pais do empresário, que decidiram colocá-lo no mercado.

O valor de R$ 2,8 milhões seria cerca de 32% abaixo da avaliação de mercado, segundo as informações divulgadas sobre a negociação. Há, porém, um detalhe de novela imobiliária: enquanto o imóvel aparece anunciado, a família de Marcos teria dito que o negócio já foi fechado. Entre o preço milionário, o estigma do endereço e a possível venda em andamento, o triplex continua carregando uma história que nenhum projeto de interiores consegue apagar.