A defesa de Oruam afirmou à Justiça que o rapper foi diagnosticado com tuberculose pulmonar e enfrenta um quadro de saúde considerado gravíssimo. Foragido há mais de 130 dias, o artista teria perdido cerca de cinco quilos no último mês e apresentado lesões nos pulmões, tosse crônica e perda de massa muscular.
Eu acabava de chegar ao estúdio em Copacabana para uma prova de maquiagem quando recebi os detalhes dos laudos apresentados pela defesa. Nem deixei abrirem a maleta de pincéis. Guardei os brincos emprestados na bolsa e pedi silêncio, porque doença grave não é assunto para deboche, mesmo quando o paciente está fugindo de uma ordem judicial.

Segundo os advogados, Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, nome de batismo do rapper, também desenvolveu sarcopenia, condição caracterizada pela redução progressiva da massa muscular, da força e do desempenho físico.
Os documentos médicos foram apresentados como um dos principais argumentos para tentar revogar a prisão preventiva. A defesa sustenta que o estado clínico de Oruam vem piorando e exige tratamento adequado.
A juíza Tula Corrêa de Mello, no entanto, negou o pedido e manteve a ordem de prisão. Na decisão, a magistrada destacou que o rapper descumpriu medidas cautelares impostas anteriormente e ainda não se apresentou à Justiça.
A decisão também determina que Oruam passe por avaliação médica assim que for preso ou se entregar. O exame deverá verificar seu estado de saúde e indicar se o sistema penitenciário possui condições para oferecer o tratamento necessário.
Enquanto a maquiadora preparava os produtos sobre a bancada, reli a decisão e separei as duas questões que já estavam sendo misturadas nas redes: tuberculose exige cuidado e tratamento; mandado de prisão exige apresentação à Justiça. Uma situação grave não apaga automaticamente a outra.
Oruam é considerado foragido desde o início de fevereiro. Ele se tornou réu por tentativa de homicídio contra dois policiais civis em decorrência de uma operação realizada em julho do ano passado.
Ser réu significa que o artista responde formalmente ao processo, não que tenha sido condenado. A prisão preventiva também não representa uma decisão definitiva sobre sua culpa, mas uma medida cautelar determinada durante a tramitação do caso.
A tuberculose é uma doença infecciosa que atinge principalmente os pulmões e pode ser transmitida pelo ar. Entre os sintomas estão tosse persistente, febre, suor noturno, cansaço e emagrecimento. O tratamento costuma ser feito com uma combinação de antibióticos disponibilizados pelo SUS e não deve ser interrompido sem orientação médica.
Também existe uma preocupação coletiva. Caso o diagnóstico apresentado pela defesa seja confirmado, será necessário avaliar a possibilidade de transmissão e identificar as pessoas que mantiveram contato próximo com o rapper durante o período da doença.
Sentei diante do espelho, mas pedi que a prova começasse apenas pelos olhos para continuar acompanhando o caso. A Justiça não ignorou completamente os documentos médicos: determinou uma avaliação assim que Oruam estiver sob custódia. Enquanto permanecer foragido, porém, o quadro descrito pela própria defesa não poderá ser examinado diretamente pelas autoridades.

Quando a maquiadora terminou um lado do rosto e pediu que eu comparasse com o outro, respondi que naquela história a diferença também precisava ficar visível: Oruam pode estar gravemente doente e, ao mesmo tempo, continuar obrigado a responder à Justiça.
A situação chegou a um ponto perigoso. O rapper precisa de tratamento, mas também precisa se apresentar. Permanecer escondido enquanto a defesa anuncia uma doença pulmonar transmissível amplia os riscos para ele, para as pessoas ao redor e para o próprio andamento do processo.