Ariadna Arantes, primeira mulher trans a participar do Big Brother Brasil, usou as redes sociais para reclamar das cantadas que recebe após publicar fotos sensuais. A influenciadora disse que muitos homens evitam comentar nas postagens abertas, mas aparecem no privado com mensagens que ela não pediu.
Eu tinha acabado de chegar da feira, deixado as sacolas na bancada e colocado as folhas de molho quando o link caiu no grupo. Li a bronca de Ariadna e pensei: os homens querem assistir ao espetáculo, mas tremem quando precisam deixar o nome no recibo.

“Eu sei que vocês ficam nervosos com minhas postagens sensuais. Mas se não têm culhão para comentar no feed, não precisa mandar mensagem no privado”, escreveu ela. Ariadna também avisou que quem quiser manter o anonimato pode assinar suas plataformas, mas pediu para não ser incomodada no direct.
A fala virou assunto justamente por expor uma situação conhecida por muita gente: o elogio escondido, a cantada que só existe onde ninguém vê e o silêncio calculado quando a interação pode ficar pública. Ariadna não pediu segredo, pediu coerência.
Eu lavei o manjericão, separei os tomates e fiquei pensando que a cozinha já estava mais honesta que muito direct por aí. Se a pessoa acha bonita, fala. Se não tem coragem de sustentar o que diz, não transforma a caixa de mensagens dos outros em confessionário clandestino.

Ariadna participou do BBB 11, em 2011, e fez história como a primeira mulher trans do reality. Ela foi a primeira eliminada da edição, mas se tornou uma figura importante na conversa sobre visibilidade trans na televisão brasileira.
A panela começou a ferver e eu fui cuidar do almoço. Ariadna cuidou do recado dela. E foi simples: quem só aparece escondido não está flertando, está procurando esconderijo.