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Kátia Flávia
Kátia Flávia

Presidente da Coreia do Sul surta com vexame na Copa e manda investigar a própria seleção

Lee Jae-myung disse estar “completamente perplexo” com a eliminação precoce do país, cobrou explicações sobre a gestão do futebol sul-coreano e pediu apuração do governo após queda na fase de grupos

Kátia Flávia

30/06/2026 8h15

Presidente Lee Jae-myung pediu investigação após eliminação da Coreia do Sul na Copa

Presidente Lee Jae-myung pediu investigação após eliminação da Coreia do Sul na Copa

A eliminação da Coreia do Sul na Copa do Mundo virou crise de governo. Depois de ver a seleção cair ainda na fase de grupos, o presidente Lee Jae-myung afirmou que ficou “completamente perplexo” com o fracasso, criticou a gestão do futebol do país e pediu que o Ministério da Cultura, Esportes e Turismo investigue o que deu errado.

Eu ainda estava no Cosme Velho, com a manhã nublada entrando pela janela, café forte na xícara e suco de melancia tentando fingir que ontem não teve gritaria de Copa do Mundo dentro da minha sala, quando li que o presidente da Coreia do Sul mandou investigar a própria seleção. Meu amor, eu parei de passar manteiga na torrada. Porque no Brasil a gente xinga técnico no grupo da família. Na Coreia do Sul, pelo visto, o negócio sobe direto para o governo.

Seleção sul-coreana caiu na fase de grupos depois de perder para a África do Sul
Seleção sul-coreana caiu na fase de grupos depois de perder para a África do Sul

A seleção sul-coreana foi eliminada na última quarta-feira (24), após perder para a África do Sul. O resultado deixou o time fora do mata-mata e ainda marcou uma classificação histórica para os sul-africanos, que avançaram pela primeira vez a essa fase em uma Copa do Mundo.

A campanha até começou com esperança. A Coreia do Sul venceu a República Tcheca na estreia, mas depois perdeu para México e África do Sul. Com isso, terminou em terceiro lugar no Grupo A e nem conseguiu vaga entre os melhores terceiros colocados.

Lee usou as redes sociais para cobrar explicações. “Não estou apenas surpreso com esse resultado inesperado, estou completamente perplexo”, escreveu o presidente no X.

E ele não parou na indignação de torcedor. Na publicação, Lee disse que o problema não estaria apenas dentro de campo, mas também nas decisões tomadas fora dele. O presidente criticou escolhas de liderança no futebol sul-coreano, apontou possíveis falhas de organização e gestão e questionou a permanência de Hong Myung-bo como técnico da seleção.

“O fracasso em se classificar deixou a população desanimada e parece ser resultado de problemas de organização e gestão”, afirmou.

A volta de Hong ao comando da equipe, em 2024, já havia provocado polêmica na Coreia do Sul. A imprensa local questionou o processo de escolha do treinador e levantou dúvidas sobre os critérios usados para reconduzi-lo ao cargo.

Agora, com a eliminação, o assunto explodiu. Lee pediu que o Ministério dos Esportes investigue o que aconteceu, identifique os problemas e apresente soluções para evitar repetição do vexame.

A pressão também cresceu entre torcedores. Uma petição pedindo mudanças no comando da seleção ganhou força, enquanto críticas ao treinador e à federação passaram a circular com mais intensidade nas redes sociais.

E aqui está o detalhe delicioso: a Coreia do Sul transformou aquilo que no Brasil seria mesa-redonda, meme, áudio indignado de tio e debate sobre “falta de raça” em pauta institucional. Imagina se por aqui cada eliminação virasse investigação oficial? Brasília teria uma CPI do 7 a 1, uma subcomissão do pênalti perdido e audiência pública para saber quem autorizou lateral recuado em Copa do Mundo.

Técnico Hong Myung-bo passou a ser questionado após o fracasso no Mundial
Técnico Hong Myung-bo passou a ser questionado após o fracasso no Mundial

Só que, por trás da piada, existe uma diferença importante. Lee não está só berrando como torcedor de sofá. Ele está usando a eliminação para mirar a estrutura do futebol sul-coreano: gestão, liderança, critérios de escolha e decisões internas. É menos “por que perdeu?” e mais “quem deixou chegar nisso?”.

Enquanto isso, no meu Cosme Velho, eu olho para a louça de ontem, penso na classificação sofrida do Brasil contra o Japão e agradeço por aqui o drama ter terminado em Martinelli nos acréscimos. Porque se a moda pega, meu amor, cada gol perdido vira assunto de ministério. E olha que no Brasil ministro para isso não falta.

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