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Kátia Flávia
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Prêmio BTG: João Gomes fatura 3 troféus e domina o pregão

A 33ª edição do prêmio que o próprio banco apelidou de Banco da Música Brasileira fechou o pregão da noite com João Gomes faturando três estatuetas e Djavan reafirmando que blue chip de verdade não sai de moda.

Kátia Flávia

11/06/2026 11h45

Gaby Amarantos, João Gomes e Luedji Luna representam a força, a diversidade e a riqueza da música brasileira. Em uma noite marcada por grandes encontros e reconhecimento de talentos, os artistas estiveram entre os destaques do Prêmio BTG Pactual da Música Brasileira, celebrando diferentes ritmos, histórias e gerações que ajudam a construir a identidade cultural do país. - Divulgação

Gaby Amarantos, João Gomes e Luedji Luna representam a força, a diversidade e a riqueza da música brasileira. Em uma noite marcada por grandes encontros e reconhecimento de talentos, os artistas estiveram entre os destaques do Prêmio BTG Pactual da Música Brasileira, celebrando diferentes ritmos, histórias e gerações que ajudam a construir a identidade cultural do país. – Divulgação

Cheguei da academia ainda de roupa de ginástica, larguei a bolsa no sofá e caí direto numa reunião que rendeu mais que pregão de quarta movimentada. Foi ali que me passaram, categoria por categoria, a lista de vencedores da 33ª edição do Prêmio BTG Pactual da Música Brasileira, e eu me emocionei feito acionista vendo dividendo gordo pingar na conta. Foi noite de gala no Theatro Municipal, com homenagem a Cazuza, e a música nacional fechou o balanço no azul. Senta que lá vem o relatório completo do mercado.

O grande tubarão da noite atende por João Gomes, que saiu do Municipal com três troféus debaixo do braço como quem assina três contratos bilionários numa rodada só. Ele dominou a Canção Popular levando Melhor Artista e Melhor Lançamento com o Pé de Serrita, e ainda abocanhou o Projeto Especial com o Dominguinho, parceria com Mestrinho e Jota.Pê. Se isso fosse Faria Lima, o moço já estaria na capa de relatório de fundo como o ativo do ano.

No pelotão das blue chips logo atrás, Luedji Luna fez dobradinha no Pop, faturando Melhor Artista e Melhor Lançamento com o Antes Que A Terra Acabe, daquelas valorizações que abrem o mercado em alta. Djavan provou que portfólio clássico não desvaloriza e levou em dose dupla a MPB, como Melhor Artista e Melhor Lançamento pelo Improviso. E Chitãozinho & Xororó, dupla que é praticamente uma holding do sertanejo, dominou a categoria como Melhor Artista e Melhor Lançamento com o Meninos de Roça, mostrando que tradição também paga dividendo.

No axé, o Olodum reinou como Melhor Artista enquanto Daniela Mercury embolsou o Melhor Lançamento com o Cirandaia. O samba abriu o cofre pra Alcione, eleita Melhor Artista, com Péricles faturando o Melhor Lançamento pelo Pagode do Pericão gravado ao vivo em São Paulo. Já as Raízes coroaram Mestrinho como Melhor Artista, que teve dia de magnata, e a Orquestra Malassombro levou o Melhor Lançamento com o Recife, Início, Meio e Fim.

O instrumental premiou o bandolim de ouro de Hamilton de Holanda como Melhor Artista, com João Camarero faturando o Melhor Lançamento pelo Baden. No funk, Deize Tigrona subiu como Melhor Artista e Totonho e os Cabra levaram o Melhor Lançamento com aquele Aí Dentu de nome quilométrico. E o rock distribuiu as fichas pro Black Pantera, Melhor Artista, e pro Terno Rei, que faturou o Melhor Lançamento com o Nenhuma Estrela.

Na ala do rap e trap, o BK levou o título de Melhor Artista e Don L abocanhou o Melhor Lançamento com aquele CARO Vapor II de nome provocador. O reggae botou Maneva no topo como Melhor Artista, com Bia Ferreira e Little Lion Sound faturando o Melhor Lançamento pelo O Seu Silêncio. Foi prêmio pingando pra todo gênero, feito megafundo que pulveriza investimento.

E ainda teve a rodada dos nichos mais cobiçados. O eletrônico premiou o Africanoise com o CABAÇA, a língua estrangeira ficou com a Silvia Machete e o Rhonda’s Boots & Legs gravado ao vivo, e o erudito consagrou Gabriele Leite com o Gunûncho. O audiovisual foi pra Gaby Amarantos com o Rock Doido, e a categoria Revelação, que é o IPO da noite, lançou o Fitti no mercado com cara de papel valorizado.

Não dá pra fechar o balanço sem citar quem banca o caixa dessa festa. O BTG Pactual, na figura do chairman André Esteves, cravou que música de qualidade é o soft power brasileiro e que a meta é empurrar esse ativo pra frente. Zé Maurício e Giovanna Machline comandaram a produção, Débora Bloch e Alice Wegmann apresentaram, e o palco teve Seu Jorge, Ney Matogrosso, Ludmilla e companhia reinterpretando Cazuza.

Saí da reunião com o coração apertado de emoção e a calculadora de inveja a mil, porque pregão da música raramente fecha tão bonito assim. Quem levou troféu que brinde com champagne, que ano que vem a disputa volta a abrir o capital. E eu estarei aqui, de olho em quem vai liderar a próxima alta.

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