A Fifa escalou o americano Ismail Elfath para apitar a semifinal entre Argentina e Inglaterra, marcada para esta quarta-feira (15), e a escolha reacendeu a desconfiança em torno da arbitragem da Copa do Mundo. O motivo é o histórico amplamente favorável de Lionel Messi em partidas comandadas pelo árbitro desde a chegada do argentino ao Inter Miami.
Eu estava saindo da academia com o cabelo meio úmido, a dignidade meio torta e a sensação falsa de que agora eu seria uma mulher disciplinada, quando vi o nome do árbitro da semifinal. Parei na porta giratória e pensei: “Mas é claro que a Copa ainda tinha uma última camada de novela argentina para entregar”. Minha filha, se a Fifa queria baixar a temperatura, escalou um ventilador jogando fogo.

Desde que Messi chegou ao Inter Miami, em 2023, Elfath apitou quatro partidas do craque argentino. O saldo é perfeito para o camisa 10: quatro jogos, quatro vitórias, quatro gols marcados e nenhum tropeço. A primeira delas foi a decisão da Leagues Cup contra o Nashville, vencida pelo Inter Miami nos pênaltis após empate por 1 a 1.
O árbitro também esteve na final da Copa do Mundo de 2022, entre Argentina e França, como quarto árbitro. Agora, assume sua primeira semifinal de Mundial como juiz principal justamente em um jogo da Argentina, o que bastou para a internet abrir o dossiê, chamar a perícia e colocar Messi no centro da teoria.
A escolha acontece em meio a uma sequência de reclamações contra decisões de arbitragem em jogos da Argentina. Nas oitavas, o Egito reclamou de um gol anulado pelo VAR, da não marcação de um pênalti sobre Mohamed Salah nos minutos finais e de outras decisões consideradas favoráveis aos argentinos.
Depois da eliminação, o técnico Hossam Hassan chegou a sugerir que a Fifa queria manter Messi vivo na competição por “razões de marketing”. “Pode ser uma questão de marketing. Eles querem uma Copa do Mundo com o campeão da última edição. Querem Messi no torneio”, afirmou.
A polêmica continuou nas quartas, contra a Suíça. O zagueiro Breel Embolo foi expulso após revisão do VAR, com base em uma nova regra sobre erro de identidade, e os suíços reclamaram que praticamente todas as decisões importantes favoreceram a Argentina. O capitão Manuel Akanji disse que “tudo era marcado contra nós”, enquanto o técnico Murat Yakin classificou a arbitragem como “incompreensível”.
O próprio Elfath também já foi alvo de críticas nesta Copa. No jogo entre Brasil e Noruega, pelas quartas de final, ele inicialmente ignorou um pênalti sobre Matheus Cunha e só mudou de decisão depois de ser chamado pelo VAR. Bruno Guimarães perdeu a cobrança, e o Brasil acabou eliminado por 2 a 1. Antes disso, na partida entre Espanha e Uruguai, o árbitro também recebeu críticas pela condução disciplinar.
Pierluigi Collina, chefe da arbitragem da Fifa, saiu em defesa dos juízes e disse ser “impossível” que árbitros sejam influenciados por qualquer pessoa, incluindo o presidente da entidade, Gianni Infantino. Segundo ele, acusações sem provas colocam em risco a integridade dos profissionais e de suas famílias.

Eu entendo Collina defendendo a categoria, mas convenhamos: escolher um árbitro com retrospecto tão redondinho para Messi, justamente quando metade do planeta já está falando em favorecimento, é pedir para o povo transformar escala de arbitragem em investigação de série criminal. A Argentina pode até jogar bola, Messi pode até decidir, mas a Fifa insiste em servir o molho da suspeita junto com o prato principal.
Agora, a pressão estará toda em cima de Elfath. Inglaterra e Argentina entram em campo por uma vaga na final, os ingleses vêm embalados após eliminar a Noruega na prorrogação, e Messi tenta chegar à segunda decisão consecutiva de Copa. Se o árbitro errar um lateral, minha filha, já vai ter gente vendo conspiração até no apito.