Enquanto os Estados Unidos recebem a Copa do Mundo e atraem milhões de turistas, o produtor de cinema brasileiro Pietro Krauss decidiu voltar as câmeras para uma realidade distante dos estádios. Ao lado do apresentador Pedro Paracampos, ele passou um dia em Skid Row, em Los Angeles, região considerada a maior Cracolândia do mundo.
Com cerca de 5 mil pessoas em situação de rua, Skid Row concentra uma população até 2,5 vezes maior do que o fluxo da Cracolândia de São Paulo, tornando-se um dos maiores símbolos da crise de drogas e da falta de moradia nos Estados Unidos.

Durante a gravação, Krauss entrevistou moradores que vivem na região há décadas. Phillip, por exemplo, afirmou estar em situação de rua há 38 anos e contou que já foi baleado, sobreviveu ao vício em heroína e metanfetamina e presenciou diferentes episódios de violência. “Levei um tiro bem aqui. Um calibre .38”, relatou.
Outro entrevistado, Rick, afirmou que as drogas fazem parte da rotina de Skid Row. Ex-usuário de crack e metanfetamina, ele disse estar sóbrio há cerca de cinco meses e alertou para o avanço de substâncias cada vez mais potentes. “Tem uma droga aqui chamada ‘Crank’. Com duas tragadas, já era”, afirmou.
Já Chad descreveu a violência cotidiana da região e afirmou que roubos e agressões acontecem com frequência. “Às vezes alguém leva uma pancada na cabeça, roubam tudo o que a pessoa tem e saem correndo”, contou.

Além das entrevistas, Krauss registrou quarteirões inteiros ocupados por barracas improvisadas, usuários de drogas circulando pelas ruas e momentos de tensão durante a noite. Em uma das gravações, um homem percebeu que estava sendo filmado e correu em direção ao carro da equipe.
O documentário faz parte do projeto Resenha Rentável, criado por Pietro Krauss e Pedro Paracampos, que produz reportagens investigativas sobre temas sociais, econômicos e culturais por meio de imersões em diferentes regiões do mundo.
