Antes de virar alvo do fandom do BTS por chamar os integrantes do grupo de “afeminados”, Pietra Bertolazzi já havia sido condenada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por ataques contra Janja. Em março de 2024, ela recebeu multa de R$ 30 mil, decidida por 6 votos a 1, após afirmar falsamente que a hoje primeira-dama usava drogas.
Eu saí do quarto com a bolsa no ombro, atravessei a sala procurando minhas chaves e travei no meio do caminho quando reli a fala que levou Pietra ao TSE. Tem declaração que não envelhece mal, ela já nasce podre. E quando o assunto é atacar mulher de político com insinuação sobre droga e moralidade, a Justiça Eleitoral não tratou como simples opinião.

Durante a eleição de 2022, Pietra comparou Janja a Michelle Bolsonaro e disparou: “Enquanto você tem ali a Janja abraçando o Pabllo Vittar e fumando maconha, fazendo sei lá o quê, você tem uma mulher impecável representando a direita, os valores, a bondade, a beleza (…): Michelle”. A declaração era falsa.
Ela não parou aí. Ao comentar um evento de campanha organizado por Janja, Pietra atacou os participantes: “Um monte de artista maconhista que não sabe pra onde vai, da onde vem, com uma ânsia enorme por brilho falso e dinheiro falso, todos querendo abraçar a Janja, porque é esse tipo de valor que ela demonstra, ao contrário da Michelle”.
Peguei as chaves no aparador e pensei na segurança com que algumas pessoas despejam uma acusação desse tamanho em vídeo, como se a internet fosse terra sem lei e a memória coletiva tivesse prazo de validade. A fala chegou ao TSE por meio de uma representação da coligação Brasil da Esperança, de Lula.
Para o ministro Floriano de Azevedo Marques, “acusar uma pessoa de ser maconheira não é algo que pode ser tido como uma crítica relevante”. Cármen Lúcia apontou o caráter sexista e violento da declaração. Alexandre de Moraes definiu o episódio como uma “campanha negativa descarada”, voltada a atingir Lula por meio da esposa.

Apertei o botão do elevador e tive de rir sem graça com a ironia do calendário. Agora Pietra se vê no centro de outra tempestade depois de atacar o BTS, enfrentar a reação do ARMY e anunciar uma pausa nas redes sociais. É um currículo inteiro de falas provocativas embaladas como coragem, até que alguém resolve cobrar a conta fora da caixa de comentários.
Não estou dizendo que fã-clube substitui tribunal, porque não substitui. Mas o tribunal já falou no caso de Janja, e a multa de R$ 30 mil está aí para lembrar que liberdade de expressão não é licença para inventar acusação e usar mulher como alvo de ataque político. Quando a porta do elevador abriu, eu entrei pensando que Pietra talvez precise de um período bem longo longe do microfone.