Estefano Zaquini, ex-participante da primeira temporada do MasterChef Brasil, viralizou após ser fotografado vendendo doces em um sinal de trânsito em Santo André, na Grande São Paulo. O cozinheiro se manifestou depois da repercussão e afirmou que o trabalho informal faz parte de um recomeço profissional e financeiro.
Eu já tinha fechado a porta de casa e descido para a calçada do Cosme Velho com aquela confiança falsa de quem acha que vai resolver três coisas antes das dez da manhã, quando veio a foto do ex-MasterChef no semáforo. Parei antes mesmo de chamar o carro. Porque tem imagem que acende mais que sinal vermelho: um rosto conhecido da TV vendendo biscoito na rua depois de acusação de calote.

Segundo Estefano, a venda de doces é uma forma de conseguir renda extra enquanto ele tenta cumprir compromissos assumidos anteriormente. Em áudio enviado ao programa A Tarde É Sua, de Sonia Abrão, o cozinheiro disse que continua trabalhando com bufês para clientes que ainda confiam em sua equipe, mas que também passou a vender biscoitos amanteigados artesanais nas ruas.
“Estamos trabalhando com esse serviço informal agora. Estamos também trabalhando com os bufês, com os clientes que ainda confiam no nosso trabalho. Nós temos alguns compromissos a serem honrados.”
A situação ganhou repercussão após Estefano Zaquini ser acusado, em abril, de cancelar eventos de bufê e não entregar serviços contratados. Na época, ele afirmou que precisou interromper a produção de Páscoa porque o filho, Erick, então com 1 ano e 2 meses, apresentou um quadro de febre alta. O cozinheiro pediu desculpas aos clientes e prometeu reparar os prejuízos.
Agora, ao explicar a venda no semáforo, ele fez questão de dizer que não considera a atividade motivo de vergonha. Estefano contou que trabalha com vendas desde os 8 anos, quando ajudava a avó a comercializar salgados de porta em porta, no comércio e também nos sinais de trânsito.
E aqui tem duas coisas acontecendo ao mesmo tempo, minha filha. De um lado, cliente que pagou por um serviço tem todo o direito de cobrar o que foi prometido. Do outro, trabalho honesto nunca deveria ser motivo de constrangimento. Vergonha não é vender biscoito na rua. Vergonha é deixar compromisso para trás sem dar resposta.

O que chama atenção é justamente o discurso de recomeço. Estefano afirmou que está vendendo produtos de qualidade e que pretende reconstruir a vida “quantas vezes forem precisas”. A frase é forte, mas a realidade também: depois de ganhar projeção nacional em um reality gastronômico e construir um nome no mercado, virar assunto por causa de um semáforo e de acusações envolvendo clientes é um desgaste público difícil de reverter.
A pergunta “perdeu tudo?” chama atenção, mas a resposta parece mais complexa. Estefano Zaquini afirma que está tentando honrar compromissos, manter parte do trabalho com bufês e complementar a renda vendendo doces nas ruas. Recuperar a confiança do público e dos clientes, porém, talvez seja o ingrediente mais difícil dessa nova receita.