Eu estava aqui em casa, no meio do trabalho, com o notebook aberto e mil abas pendentes, quando entrou a chamada de vídeo. Atendi achando que era mais uma reunião. Era o aviso de um evento que me fez fechar tudo e prestar atenção: Pedro Nercessian vai ser o convidado de honra e mestre de cerimônias do aniversário de 100 anos do Coral Vahakn Minassian, em São Paulo. Gente, que coisa linda.
A história por trás é o que pega. O coral foi formado por imigrantes armênios que sobreviveram ao genocídio cometido pelo Império Otomano e chega a 2026 com um século de atividade sem interrupção. Cem anos cantando, de geração em geração, longe da terra de origem.
E o Pedro não está ali só para segurar o microfone. O ator, que o público conhece de Malhação e de A Força do Querer, é descendente de armênios. O avô materno dele chegou ao Brasil com dois anos de idade, como refugiado do genocídio. Ou seja, o neto de um menino que fugiu daquilo tudo vai subir ao palco para apresentar o coral criado justamente por quem atravessou a mesma tragédia. Eu achei incrível, e acho que vocês vão achar também.

A apresentação acontece no domingo, 8 de novembro, às 17h, no Teatro Maria Imaculada, na Avenida Bernardino de Campos, 79, no Paraíso, com entrada gratuita. É a última de uma série de homenagens que o grupo recebeu neste ano do centenário. Muitos integrantes e lideranças do coral já foram condecorados com Medalhas de Honra pelo Comissário para Assuntos da Diáspora da Armênia no Brasil, o que dá a medida do peso que esse grupo tem dentro da comunidade.
No mesmo concerto sai o livro “Centenário do Coral Vahakn Minassian”, escrito pela historiadora Sonia Maria de Freitas, especialista em imigração armênia no Brasil. São 196 páginas com 210 fotografias, e os exemplares vão ser distribuídos de graça durante a apresentação. A realização é da Sociedade Artística Melodias Armênias, a SAMA, do Clube Armênio.
Num mundo em que tudo vira barraco em cinco minutos, uma história dessas, com memória, família e música atravessando um século inteiro, merece casa cheia. Se eu estivesse em São Paulo no domingo, estava na primeira fila.