Márcio Poncio voltou a ser alvo de buscas da Polícia Federal nesta quinta-feira (29), na nona fase da Operação Unha e Carne. O pastor e empresário, pai de Sarah e Saulo Poncio, cumpre prisão domiciliar desde julho e agora aparece em uma etapa que mira uma suposta rede de lavagem de dinheiro e ocultação de bens e valores.
Eu estava no banho do vestiário, deixando a água cair depois do treino, quando a notícia chegou. E aí não teve como não lembrar do patriarca dos Kardashians brasileiros, ou, como ele próprio já brincou, dos “Kardashians pobres de Caxias”. Só que, desta vez, a família de ostentação, fé, mansão e internet voltou ao noticiário por um assunto que pede muito menos brilho e muito mais cautela.

Segundo a PF, as buscas foram motivadas pela análise de dados extraídos do celular de Poncio. Os investigadores afirmam ter identificado novos endereços, empresas e ativos patrimoniais supostamente usados na administração, ocultação e movimentação de recursos financeiros.
Eu desliguei o chuveiro e fiquei alguns segundos em silêncio. Porque uma coisa é a família virar assunto por reality, romance, polêmica e vídeo de rede social; outra é quando entra em cena uma investigação federal com menção a aeronaves, imóveis de alto padrão, veículos de luxo e empresas.
A operação também teve como alvo Bernardo Coutinho Loyola, sobrinho de Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho. Foram expedidos quatro mandados de busca e apreensão na Barra da Tijuca, e salas comerciais ligadas a Poncio foram apontadas pela Polícia Federal como possíveis estruturas operacionais e administrativas. Tribuna NF
Eu saí do banho, enrolei a toalha e pensei no tamanho do enredo: o homem que já falou de fábrica de cigarros, vida gospel, filhos milionários da internet e mansão com heliponto agora volta para o centro de uma operação que investiga ramificações financeiras de uma organização criminosa. A realidade do Rio, às vezes, escreve com mais exagero do que qualquer série.
Na quinta fase da Unha e Carne, em julho, Márcio Poncio foi preso em um flat na Barra da Tijuca. Dias depois, o STF converteu a prisão preventiva em domiciliar. A nova fase não representa condenação: trata-se de mais um desdobramento de uma investigação que continua em andamento.

Eu terminei de me trocar com o cuidado que a pauta exige. O patriarca pode ter virado símbolo de uma dinastia gospel-pop de luxo e exposição, mas investigação criminal não é episódio de família influencer: envolve apuração, direito de defesa e fatos que ainda precisarão ser examinados pela Justiça.