Carlos Alberto Parreira, técnico campeão do mundo com o Brasil em 1994, segue internado na UTI do Hospital Samaritano Barra, no Rio de Janeiro. Aos 83 anos, ele trata uma inflamação pulmonar que evoluiu com complicações renais, voltou a ser sedado, respira com auxílio de aparelhos e iniciou sessões de hemodiálise.
Eu ainda estava no Cosme Velho tentando transformar a volta para casa em rotina, com a cafeteira finalmente ligada e a mala aberta me julgando do canto da sala, quando vi o nome de Parreira subindo nas mensagens. Depois de uma Copa que já tinha deixado o brasileiro emocionalmente destruído, notícia de UTI envolvendo o técnico do tetra chega feito aperto no peito. Minha filha, tem nome que a gente lê e imediatamente lembra de camisa larga, Zagallo no banco e 1994 inteiro passando na cabeça.

Segundo a Gazeta do Paraná, Parreira está internado desde 16 de junho e segue sob acompanhamento do pneumologista intensivista Arthur Vianna e de uma equipe multidisciplinar. Até o momento, não há previsão de alta.
A equipe médica informou que o ex-treinador apresentou quadro infeccioso pulmonar com impacto na função dos rins. Por causa da evolução clínica, ele voltou a ser sedado, passou a respirar com suporte de aparelhos e começou a fazer hemodiálise.
Na semana passada, Parreira também passou por um procedimento para cauterização de um sangramento nasal. Ainda não foi divulgado um novo boletim com detalhes atualizados sobre a evolução do quadro.
Em 2023, o ex-técnico foi diagnosticado com linfoma de Hodgkin, um tipo de câncer que afeta o sistema linfático, responsável pela defesa do organismo. Desde então, sua saúde exige acompanhamento mais cuidadoso.
Parreira é um dos nomes mais importantes da história da Seleção Brasileira. Foi ele quem comandou o time do tetracampeonato mundial, nos Estados Unidos, em 1994, quando o Brasil voltou a levantar a taça depois de 24 anos de espera.
E eu sei que muita gente associa aquele título ao Romário, ao Bebeto, ao Taffarel e ao pênalti do Baggio, mas Parreira era o homem da prancheta, da calma e da frase medida. Pode ter sido criticado, amado, chamado de conservador, mas entregou o que uma geração inteira esperava: o Brasil de volta ao topo.
Ao longo da carreira, ele também dirigiu clubes e seleções em diferentes países, consolidando uma trajetória rara no futebol mundial. Parreira virou sinônimo de comando sereno, de futebol pragmático e de uma era em que a Seleção Brasileira ainda entrava em Copa com cara de favorita real, não de promessa em PowerPoint.

Agora, enquanto o país ainda tenta digerir a eliminação vergonhosa para a Noruega, a internação de Parreira mexe com outra camada da memória. Não é só saúde de ex-técnico. É o técnico do tetra, um pedaço de um Brasil que sabia ganhar Copa, enfrentando um quadro delicado em hospital no Rio.
Eu fico aqui torcendo por melhora e por boletins mais tranquilos. Porque, depois de tanto vexame recente, o torcedor brasileiro merece pelo menos preservar com carinho quem já nos deu uma alegria do tamanho de 1994.