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Kátia Flávia
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“Para Deo… Beze…”: as mensagens que ligam Deolane a pagamentos do PCC

Investigação da Operação Vernix aponta que transportadora usada pela facção teria enviado dinheiro para contas da influenciadora

Kátia Flávia

26/05/2026 14h36

Deolane Bezerra é investigada na Operação Vernix por suspeita de ligação com esquema do PCC

Deolane Bezerra é investigada na Operação Vernix por suspeita de ligação com esquema do PCC

A Polícia Civil de São Paulo afirma ter encontrado mensagens e comprovantes que indicariam pagamentos feitos a Deolane Bezerra por uma transportadora apontada como instrumento de lavagem de dinheiro do PCC. A influenciadora e advogada foi presa na última quinta-feira (21), na Operação Vernix, e é investigada por suspeita de lavagem de dinheiro, associação ao tráfico e participação em organização criminosa. A defesa nega qualquer envolvimento dela com a facção.

Eu já tinha desistido do almoço quente e marcado um compromisso com uma fonte da televisão, dessas que falam “rapidinho” e depois entregam meia novela da vida alheia. Estava tentando salvar a cara da tarde, trocando mensagem com motorista, organizando a pauta no computador e procurando um óculos escuro que some sempre que a dignidade precisa dele, quando caiu a investigação sobre Deolane. Aí não teve fonte, batom nem compromisso que segurasse: quando aparece “Para Deo… Beze…” em apuração sobre dinheiro do PCC, a coluna senta e lê.

Segundo a polícia, conversas apreendidas durante a investigação mencionam uma abreviação interpretada pelos investigadores como referência a Deolane Bezerra. As mensagens indicariam transferências bancárias ligadas ao esquema de lavagem de dinheiro atribuído à facção.

A apuração começou em 2019, após agentes penitenciários encontrarem bilhetes escondidos em uma cela do presídio de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo. De acordo com o Ministério Público e a Polícia Civil, as mensagens continham ordens atribuídas a Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, e a Alejandro Camacho Júnior.

Os investigadores afirmam que um casal de “laranjas” teria criado uma transportadora próxima ao presídio para lavar dinheiro do PCC e movimentar recursos ligados ao tráfico internacional de cocaína. Em celulares apreendidos, a polícia encontrou mensagens sobre repasses financeiros.

“Há contato de Everton, determinando transferências para uma abreviação que se referia a ‘Deo… Beze’… e um número de conta bancária que, uma vez apurada, revelava a identidade de Deolane Bezerra”, disse um dos delegados responsáveis pela investigação.

A polícia também afirma ter localizado comprovantes de depósitos feitos por Ciro César Lemos, apontado como um dos operadores da transportadora, em contas ligadas à influenciadora. Um relatório financeiro indica que mais de R$ 13 milhões circularam pelas contas pessoais de Deolane entre 2018 e 2022, além de outros R$ 14 milhões movimentados por empresas registradas em nome dela.

Para os investigadores, parte do dinheiro teria sido pulverizada em dezenas de contas e empresas associadas à advogada. A polícia cita ainda empresas registradas em cidades próximas a Presidente Venceslau e aponta indícios de que seriam de fachada.

Em audiência de custódia, Deolane afirmou que os valores recebidos eram referentes a serviços advocatícios e negou ligação com a transportadora investigada. A defesa declarou que “não há nenhuma relação com crime organizado ou dinheiro de origem ilícita” e disse que todos os rendimentos da influenciadora são declarados e compatíveis com suas atividades empresariais.

Eu olhei para o relógio, vi o compromisso chegando e pensei que fonte de TV nenhuma supera esse roteiro: bilhete em presídio, transportadora suspeita, milhões circulando e uma abreviação que virou peça de investigação. A tarde ainda nem tinha começado direito e já estava com cara de domingo de “Fantástico” no meio da terça.

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