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Kátia Flávia
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Pablo Marçal chama Luiz Bacci de “disfuncional” por apresentador não ter filhos

Kátia Flávia ficou irritadíssima com Pablo Marçal após empresário usar o fato de Luiz Bacci não ter filhos para classificá-lo como “disfuncional” ao vivo.

Kátia Flávia

30/08/2026 9h59

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Marçal constrange Luiz Bacci ao dizer que homem de 40 anos sem filhos é “disfuncional”.

Eu estou tentando falar com o Bacci desde cedo, com o cabelo implorando uma intervenção divina, a maquiagem vivendo o pós-guerra e um suco de pera na mão. Nada. O homem deve estar trabalhando, porque esse é o tipo de criatura que apanha de graça num programa ao vivo e ainda entrega pauta, audiência e assunto para a internet inteira. Mas eu precisava dizer: Bacci, Kátia está do seu lado nessa.

Pablo Marçal foi ao Show do Bacci, sentou no novo palco digital do apresentador e resolveu transformar uma conversa sobre natalidade em inspeção moral de vida alheia. Ao ouvir que Luiz Bacci tem 40 anos e não tem filhos, soltou que “o homem de 40 anos, sem filho, é disfuncional para a sociedade”.

Disfuncional, querido? Disfuncional é pegar uma discussão pública e resolver que a vida íntima do outro virou planilha de desempenho. Bacci pode ter filhos, não ter filhos, querer ter, não querer ter, adotar, criar cachorro, criar samambaia, criar uma empresa ou simplesmente viver a própria vida. Nenhuma dessas escolhas cancela sua inteligência, sua carreira, seu direito de falar ou seu valor como cidadão.

O apresentador questionava a responsabilidade de colocar crianças no mundo quando não há estrutura financeira para isso. É uma opinião que pode, sim, ser contestada. Marçal poderia discutir liberdade individual, planejamento familiar, desigualdade, políticas públicas, religião ou qualquer outro ponto ligado ao assunto. Mas não. Preferiu entrar no modo auditor da vida reprodutiva e decretar que Bacci seria um problema social por não ter procriado aos 40.

Aí veio a cereja amarga desse bolo sem noção: Marçal afirmou que o mundo está ruim porque “pessoas boas” como Bacci não se multiplicaram. Parece elogio, mas chega com uma algema moral no pulso. É aquele tipo de frase que diz “você é ótimo”, enquanto tenta enquadrar a pessoa num modelo de vida que ela não pediu para seguir.

E tem uma coisa que me deixa ainda mais passada: isso aconteceu dentro do Show do Bacci, projeto novo, recém-colocado no ar, a vitrine da BNTV e uma fase importante da carreira digital do jornalista. O homem abre a própria casa, prepara o programa, recebe o convidado e, de brinde, ganha uma sentença pública sobre como deveria conduzir a vida. Ah, faça-me o favor.

Não estou dizendo que entrevistador tem de receber convidado em redoma de vidro, com algodão egípcio e música de harpa. Debate existe para ter discordância. Mas discordar não é usar a ausência de filhos como carimbo de fracasso social. Isso não é enfrentamento de ideia. É provocação pessoal com perfume de corte para rede social.

Marçal já mostrou outras vezes que sabe transformar tensão em espetáculo. Só que há uma diferença entre ser provocador e escolher uma condição íntima como arma retórica. Quando a conversa vira um tribunal sobre quem é pai, quem é mãe, quem casou, quem namora ou quem está solteiro, a discussão pública perde profundidade e ganha uma plateia faminta por barraco.

Bacci, se você estiver lendo isso entre uma reunião e outra, Kátia Flávia Business está batendo o salto na mesa por você. Homem sem filho não é disfuncional. Homem com filho também não ganha automaticamente diploma de sensatez. O mundo não melhora porque alguém atende à cartilha existencial de Pablo Marçal. O mundo melhora quando as pessoas aprendem a debater sem tentar transformar a vida privada dos outros em munição de palco.

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