Eu estava aqui na barra da Tijuca quando a notícia chegou, e foi aquele balde de água fria que para tudo. Nada de grupo fervendo com fofoca de reality ou leitura de stories. O celular tocou com um contato lá da Zona Sul, de dentro da estrutura, e a informação era grave: tinha um homem morto na montagem do show mais aguardado do Rio em anos.
Gabriel de Jesus Firmino trabalhava para a empresa MG Coutinho Serviços Cenográficos e era o responsável pela instalação de quatro elevadores que fazem parte da estrutura do palco montado na praia de Copacabana, próximo ao Leme, para o show da Shakira. Duas dessas estruturas se desprenderam e esmagaram a parte inferior do corpo dele. A brigada de emergência, presença obrigatória em qualquer obra de grande porte, prestou os primeiros socorros no local. Gabriel foi encaminhado ao Hospital Miguel Couto, mas não resistiu aos ferimentos.



Às dez horas desta manhã, a Polícia Civil chegou ao local em duas viaturas para realizar uma segunda perícia. O delegado titular da Delegacia de Copacabana, doutor Ângelo Lajes, desceu pessoalmente com a equipe para conversar com os responsáveis técnicos da montagem. Todo o trabalho na estrutura foi imediatamente paralisado para aguardar os procedimentos periciais.
A empresa organizadora do evento informou que os trabalhos ficariam suspensos até a conclusão da perícia policial, mas garantiu que o cronograma vinha sendo cumprido sem atrasos e que a paralisação não colocaria em risco a realização do show no fim de semana.
Aqui a coluna registra com respeito e com pesar. Nenhum show, por maior que seja, vale uma vida. Gabriel foi trabalhar e não voltou. Antes de qualquer debate sobre logística de palco ou cronograma de estrela internacional, o que importa agora é que uma família perdeu alguém, e que a Justiça apure com rigor o que aconteceu naquelas estruturas.