Menu
Kátia Flávia
Kátia Flávia

“Onda de travestis que batem em mulher”: Bia Kicis ataca Pabllo Vittar após falta de patrocínio na Parada LGBT+

Cantora cobrou marcas que usam bandeira colorida no Mês do Orgulho, mas somem na hora de apoiar de verdade a comunidade

Kátia Flávia

25/05/2026 15h27

Bia Kicis rebateu declarações de Pabllo Vittar sobre a queda de patrocínios da Parada LGBT+ de São Paulo e gerou repercussão nas redes. - Reprodução Instagram

Bia Kicis rebateu declarações de Pabllo Vittar sobre a queda de patrocínios da Parada LGBT+ de São Paulo e gerou repercussão nas redes. – Reprodução Instagram

Pabllo Vittar virou alvo de Bia Kicis (PL-DF) depois de criticar a queda de patrocínios da Parada LGBT+ de São Paulo e apontar a “onda de conservadorismo” como um dos motivos para o recuo de marcas que adoram pintar logotipo de arco-íris em junho, mas desaparecem quando o apoio precisa sair do marketing e virar compromisso real.

No Cosme Velho, as amigas finalmente tinham ido embora, deixando para trás aquele tipo de silêncio que só existe depois de almoço grande: cadeira fora do lugar, copo esquecido em canto impossível e uma paz meio suspeita. Aproveitei a arrumação que elas fizeram na cozinha e resolvi partir para uma faxina decente, daquelas em que a pessoa começa dobrando pano de prato e termina questionando escolhas de vida. Eu estava com uma luva na mão, um produto de limpeza na outra e a paciência no rodapé quando apareceu Bia Kicis falando de Pabllo Vittar. Pronto. A casa podia esperar.

A confusão começou depois que Pabllo comentou a redução de 60% dos patrocínios da Parada LGBT+ de São Paulo. A cantora afirmou que o conservadorismo afeta a forma como as pessoas enxergam a comunidade e cobrou a postura de empresas que usam símbolos do orgulho LGBT+ apenas quando isso rende imagem positiva.

“Então é muito fácil, no Mês do Orgulho, colocar bandeira colorida no ícone, trocar a foto de perfil para algo colorido, colocar a logo da sua marca com as cores da bandeira, sendo que esse apoio não é um apoio verídico, não é um apoio verdadeiro para a nossa comunidade. Cadê as marcas, que já estiveram por aí com bandeira colorida nos ícones, e esse ano não estão presentes com a gente?”, declarou Pabllo.

Bia Kicis reagiu nas redes sociais com um discurso contra o movimento LGBT+. “Conservadorismo não é onda, é sólido, é algo que se mantém, é a base da sociedade, é a base das famílias, é algo que vem desde os primórdios dos tempos e ficará na Terra até o planeta acabar. Onda é essa coisa de movimento LGBT, movimento gay, dos travestis que invadem banheiro das mulheres, que querem bater em mulher”, disparou.

Em outro vídeo, a deputada afirmou que o conservadorismo é “algo sólido” e chamou o movimento LGBT+ de “onda passageira”. Ela ainda disse que a queda de patrocínios estaria acontecendo porque as pessoas estariam enxergando o que chamou de “coisas artificiais”.

O problema é que Pabllo tocou exatamente no ponto que incomoda: empresa que lucra com diversidade quando é bonito no feed, mas some quando a pressão conservadora aparece, não é aliada, é oportunista com designer gráfico. Bia preferiu transformar uma crítica sobre patrocínio, mercado e representatividade em mais um embate contra a comunidade LGBT+.

A deputada também afirmou que “o problema é que querem doutrinar, transformar em padrão de normalidade aquilo que é exceção, uma excepcionalidade que merece sim respeito”. É sempre a mesma tensão pública entre discurso de respeito individual e críticas à visibilidade e às pautas políticas da comunidade.

Eu voltei para a faxina com mais vontade ainda. Porque tem sujeira que sai com desinfetante, e tem sujeira que aparece em discurso tentando chamar preconceito de tradição. Pabllo falou de apoio verdadeiro. Bia respondeu com o velho embate ideológico de sempre.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado