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Kátia Flávia
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Obesidade ou lipedema? Dr. Guthyerres Carvalho explica os sinais que ajudam a diferenciar as duas condições

Médico explica por que dificuldade para emagrecer, desproporção corporal, dor e hematomas podem exigir uma investigação além da balança

Kátia Flávia

04/09/2026 18h14

Dr. Guthyerres Carvalho explica que desproporção corporal, dor, sensibilidade e hematomas frequentes podem ser sinais importantes na investigação do lipedema.

Dr. Guthyerres Carvalho explica que desproporção corporal, dor, sensibilidade e hematomas frequentes podem ser sinais importantes na investigação do lipedema.

Emagrecer, perceber mudanças no rosto, na cintura e no abdômen, mas notar que as pernas continuam praticamente com o mesmo volume. Sentir dor ao apertar determinadas regiões, apresentar hematomas com frequência e observar uma diferença acentuada entre a parte superior e inferior do corpo. Afinal, quando o excesso de gordura pode estar relacionado à obesidade e quando é necessário investigar um possível lipedema?

A dúvida tem se tornado mais frequente à medida que o lipedema ganha visibilidade, principalmente entre as mulheres. Embora possa ser confundido com obesidade ou gordura localizada, o quadro apresenta características próprias e pode coexistir com o excesso de peso, o que torna a avaliação individual ainda mais importante.

Segundo o Dr. Guthyerres Carvalho, um dos pontos que ajudam a levantar a suspeita está na forma como a gordura se distribui pelo corpo. Enquanto na obesidade o aumento do tecido adiposo costuma ocorrer de maneira mais generalizada, no lipedema existe um padrão desproporcional, que afeta principalmente quadris, coxas e pernas e também pode atingir os braços.

A balança não conta toda a história

Olhar apenas para o peso pode não ser suficiente para entender o que está acontecendo com o corpo. Uma pessoa pode apresentar lipedema sem ter obesidade, assim como as duas condições podem estar presentes ao mesmo tempo.

Um dos sinais que podem chamar atenção é justamente a desproporção corporal. A paciente perde peso no rosto, abdômen ou tronco, por exemplo, mas percebe maior resistência à redução de volume nas regiões afetadas pelo lipedema.

Além da distribuição da gordura, existem sintomas que ajudam a diferenciar os quadros. Dor, sensibilidade ao toque, sensação de peso nos membros e facilidade para desenvolver hematomas podem estar presentes no lipedema e merecem atenção quando aparecem associados ao aumento desproporcional de determinadas regiões.

Outra característica frequentemente observada é a simetria. O lipedema costuma afetar os dois lados do corpo de maneira semelhante e, classicamente, tende a poupar os pés, fazendo com que a mudança de volume possa ficar mais evidente na altura dos tornozelos.

“Emagreço, mas minhas pernas não diminuem”: é lipedema?

Não necessariamente.

Ter pernas mais grossas, celulite, gordura localizada ou maior dificuldade para perder medidas em uma região específica não significa automaticamente ter lipedema. Genética, composição corporal e a própria maneira como cada organismo distribui gordura também precisam ser consideradas.

É justamente nesse ponto que a popularização do assunto nas redes sociais exige cuidado. Fotografias comparativas, vídeos e listas de sintomas podem ajudar uma pessoa a perceber que algo merece atenção, mas não são suficientes para estabelecer um diagnóstico.

A avaliação profissional considera o histórico da paciente, os sintomas apresentados, a distribuição do tecido adiposo e o exame clínico, além da necessidade de diferenciar o quadro de outras condições que também podem provocar alterações nos membros inferiores.

Lipedema e obesidade podem existir juntos

Outro ponto que costuma gerar confusão é acreditar que uma condição necessariamente exclui a outra. Uma paciente pode apresentar obesidade e lipedema simultaneamente.

Quando isso acontece, atribuir toda alteração corporal exclusivamente ao excesso de peso pode dificultar a identificação do lipedema. Por outro lado, relacionar qualquer aumento de gordura à doença também pode levar a interpretações equivocadas.

Por isso, Dr. Guthyerres Carvalho destaca a importância de analisar o conjunto de sinais, especialmente quando a desproporção corporal vem acompanhada de sintomas como dor, sensibilidade e hematomas recorrentes.

Quando procurar avaliação?

A dificuldade para reduzir medidas em pernas ou braços, isoladamente, não determina um diagnóstico. Entretanto, quando essa característica aparece associada à desproporção entre as regiões do corpo, dor, sensibilidade, sensação de peso e hematomas frequentes, uma avaliação pode ser indicada para investigar a causa.

O diagnóstico correto também interfere diretamente na escolha da abordagem. Alimentação equilibrada, atividade física e controle do peso continuam importantes para a saúde, inclusive para pacientes com lipedema, mas o acompanhamento da condição pode exigir estratégias específicas de acordo com cada caso.

Diferenciar obesidade de lipedema, portanto, vai muito além de uma questão estética. Reconhecer os sinais pode evitar que pacientes passem anos atribuindo exclusivamente ao peso sintomas que merecem uma investigação específica e, principalmente, permitir uma abordagem mais adequada para melhorar saúde, mobilidade e qualidade de vida.

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