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Kátia Flávia
Kátia Flávia

O segredo está na estante: livros entregam pistas sobre assassinato em “Quem Ama Cuida”

Obras exibidas em novela da Globo antecipam temas, suspeitos e possíveis respostas para a morte de Arthur Brandão; estratégia foi criada por Amora Mautner

Kátia Flávia

24/06/2026 17h00

Livros espalhados pelos cenários de “Quem Ama Cuida” escondem pistas sobre o assassinato de Arthur Brandão

Livros espalhados pelos cenários de “Quem Ama Cuida” escondem pistas sobre o assassinato de Arthur Brandão

Os livros espalhados pelos cenários de “Quem Ama Cuida” não foram escolhidos apenas para deixar a decoração mais sofisticada. Os títulos funcionam como pistas simbólicas sobre o assassinato de Arthur Brandão, personagem de Antonio Fagundes, e podem ajudar o público a descobrir o criminoso.

Depois de conferir o colar, guardar a joia e ajudar a atriz a sair do figurino sem destruir o penteado, deixei o estúdio do Jardim Botânico. Segui para uma livraria na Gávea, onde buscaria um presente encomendado para uma amiga escritora. Foi entre Dostoiévski e Homero que uma produtora da Globo me contou o truque da novela. Minha filha, parei diante da prateleira: agora até livro de cenário precisa ser interrogado.

 “Crime e Castigo” conecta temas como culpa, moralidade e assassinato ao mistério da novela
“Crime e Castigo” conecta temas como culpa, moralidade e assassinato ao mistério da novela

A ideia partiu da diretora artística Amora Mautner, que sugeriu aos autores Walcyr Carrasco e Claudia Souto a criação de um jogo narrativo com os telespectadores. As obras literárias aparecem estrategicamente nas cenas para antecipar conflitos, levantar suspeitas e alimentar teorias. A informação foi revelada pela coluna de Carla Bittencourt, no Portal LeoDias.

Entre os livros já exibidos estão “A Odisseia”, de Homero, além de “O Idiota” e “Crime e Castigo”, de Fiódor Dostoiévski. Cada obra estabelece uma conexão com personagens ou acontecimentos centrais da novela.

“A Odisseia” remete à jornada de Adriana, vivida por Leticia Colin, que enfrenta obstáculos enquanto tenta reconstruir a própria vida e descobrir a verdade. Assim como o herói de Homero, ela atravessa uma longa caminhada marcada por perdas, provações e desejo de retorno.

“O Idiota” conversa com personagens que tentam preservar alguma integridade em meio às disputas familiares, ambições e jogos de interesse. Já “Crime e Castigo” traz as pistas mais evidentes: assassinato, culpa, moralidade e as consequências psicológicas de um crime.

Nada, portanto, está apoiado sobre uma mesa por acaso. As capas, os autores e até a posição dos livros ajudam a ampliar o mistério sobre quem matou Arthur Brandão.

A estratégia não é inédita na carreira de Amora. Em “Avenida Brasil”, Tufão, interpretado por Murilo Benício, aparecia frequentemente lendo. Os títulos escolhidos ajudavam a revelar características do personagem e dialogavam com os acontecimentos da trama.

 Amora Mautner criou um jogo narrativo para ajudar o público a formular teorias sobre o criminoso
Amora Mautner criou um jogo narrativo para ajudar o público a formular teorias sobre o criminoso

Em “Quem Ama Cuida”, porém, a diretora elevou a brincadeira. A literatura deixou de funcionar apenas como ferramenta para construir personalidade e passou a integrar diretamente a investigação do assassinato.

A partir de agora, telespectador atento não pode olhar apenas para depoimento, herança, álibi e cara de culpado. Precisa pausar a cena, ampliar a estante e pesquisar o resumo do livro. A Globo transformou a novela das nove em clube de leitura criminal, e eu já desconfio de qualquer personagem que aparecer segurando Agatha Christie.

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