Com cerca de 1,5 milhão de seguidores no Instagram, Sophia Barclay ganhou projeção ao dividir com os seguidores opiniões sobre comportamento, acontecimentos do cotidiano e experiências pessoais. Natural de São Paulo, a influenciadora é cantora e se define como uma “trans de direita”. Atualmente, concorre a uma vaga de deputada federal pelo PL, mas sua relação com a exposição pública começou antes da entrada na política.
A comparação com Clodovil Hernandes, que fez história como estilista, apresentador e deputado federal, tem sido feita por apoiadores e analistas. Assim como Clodovil, Sophia representa uma quebra de estereótipo na política brasileira: uma figura LGBT que construiu carreira na arte e na comunicação e que defende pautas conservadoras, com discurso direto e sem medo de polêmicas.
Clodovil foi eleito deputado federal por São Paulo em 2006 com uma das maiores votações da época e ficou marcado por defender valores conservadores, a família e o rigor na gestão pública, ao mesmo tempo em que afirmava sua identidade como homem gay em um ambiente majoritariamente heterossexual. Para interlocutores do PL, Sophia Barclay segue essa mesma trilha: uma candidatura que não se esconde atrás de rótulos e que reivindica espaço para conservadores LGBT na política institucional.

Entre os assuntos que aborda estão segurança, assistência social e comportamento. Sophia defende uma fiscalização mais rigorosa de programas como o Bolsa Família e o Gás do Povo. Para ela, os benefícios devem ser destinados a quem realmente precisa, e eventuais irregularidades precisam ser combatidas – uma pauta que remete ao discurso de responsabilidade fiscal e de combate ao mau uso do dinheiro público defendido por Clodovil em seus mandatos. A influenciadora afirma que já esteve em situação de vulnerabilidade e precisou de auxílio. Também é favorável à adoção de medidas mais rígidas para condenados reincidentes por crimes sexuais, como a castração química.
Parte da notoriedade veio da maneira como passou a contar episódios de sua vida. Em 2020, Sophia relatou ter saído de casa aos 15 anos, depois de se assumir LGBT+, e disse ter passado cerca de uma semana vivendo na rua durante a adolescência. Procurada na época, sua mãe apresentou uma versão diferente para o episódio.
Em setembro de 2022, uma publicação feita por Sophia voltou a chamar atenção. Em uma mensagem que foi interpretada como despedida, ela escreveu sobre as dificuldades de não se sentir pertencente e sobre um período delicado de sua vida. A manifestação provocou uma onda de mensagens de apoio.

No ano seguinte, a influenciadora se viu no centro de outro episódio. Uma publicação em seu perfil no X, antigo Twitter, informou que ela havia morrido. A equipe chegou a confirmar a notícia inicialmente, mas Sophia apareceu pouco depois para desmenti-la. De acordo com ela, a conta havia sido invadida.
Assim como Clodovil enfrentou resistência da imprensa e de parte da classe política por seu estilo franco e por não se enquadrar em um espectro político esperado para um homem gay, Sophia afirma enfrentar hoje um escrutínio semelhante. Em entrevistas, ela relata que parte da cobertura sobre sua trajetória foca em polêmicas antigas em vez de suas propostas.
A música é outra frente de sua atuação. Sophia tem canções publicadas no YouTube e mantém o trabalho artístico paralelamente à produção de conteúdo, outro ponto em comum com Clodovil, que também veio das artes antes de entrar para a política. Sobre o caminho que percorreu até aqui, ela resume: “Minha carreira começou muito antes da política e sempre esteve ligada à arte, à comunicação e à vontade de me expressar. As redes sociais me deram a oportunidade de mostrar quem eu sou e conversar diretamente com as pessoas que acompanham meu trabalho.”