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Kátia Flávia
Kátia Flávia

O Globo de Ouro pós Fernanda Torres: como uma vitória mudou o lugar do Brasil na premiação

A cerimônia do Globo de Ouro acontece neste domingo, com transmissão ao vivo no Brasil pela TV Globo, logo após o Fantástico, e cobertura completa também na GloboNews. Prepare o sofá, o vinho e o grupo de WhatsApp, porque a noite promete Brasil no centro do palco.

Kátia Flávia

10/01/2026 9h30

Robyn Beck/AFP

Amadas, quando Fernanda Torres subiu ao palco do Beverly Hilton em janeiro de 2025, foi um deslocamento de eixo. O Globo de Ouro, aquela festa que a gente via de longe, meio como quem olha vitrine em viagem internacional, de repente atravessou a rua e sentou à mesa com a gente.

Aquela imagem dela segurando a estatueta por “Ainda Estou Aqui” não envelheceu. Pelo contrário. Virou senha. Virou passe livre. Virou aquela pulseira invisível que diz você pertence a esse lugar.

Antes disso, o Brasil aparecia no Globo de Ouro como quem bate ponto de vez em quando. Uma indicação aqui, um diretor aplaudido ali, muita torcida e pouco espaço. Depois de Fernanda, o prêmio começou a falar português com mais frequência. E não foi por caridade, foi por relevância.

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O Brasil está concorrendo em várias categorias do Globo de Ouro que acontece neste domingo (11). Foto: Emma Mclntyre/Wirelmage

Em 2026, o efeito dominó está mais do que claro. “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, chega forte à premiação, com Wagner Moura tratado pela imprensa internacional como aposta quente. Quente mesmo, daquele tipo que faz stylist suar frio e assessor de imprensa dormir com um olho aberto.

Wagner não chega como exótico nem como surpresa. Chega como favorito possível. E isso muda tudo. Porque uma coisa é ser convidado para a festa. Outra é ser esperado.

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‘O Agente Secreto’, protagonizado por Wagner Moura, ganhou o Critics Choice Awards 2026 de melhor filme em língua estrangeira. Foto: divulgação

A vitória de Fernanda também reorganizou a casa por aqui. A Globo entendeu rápido o recado. Em 2026, a transmissão deixa de ser nota de rodapé e vira evento. Horário nobre, apresentação caprichada, comentários de peso, tradução simultânea e aquele clima de Copa do Mundo cultural que o brasileiro sabe fazer como ninguém.

E aí vem o golpe final de realidade. O Globo de Ouro oficializou o romance. Em março, o Rio de Janeiro recebe o Golden Globes Tribute Gala, no Copacabana Palace. Tapete vermelho, jantar de gala, homenagens a talentos brasileiros e chancela institucional. Não é festa paralela. É evento do calendário oficial do prêmio.

Tradução simultânea da colunista aqui. O Brasil deixou de ser figurante simpático e virou ativo estratégico.

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Ano passado, o Brasil vibrou com a repercussão quando Fernanda Torres ergueu a estatueta. Este ano, o país tem novas chances de brilhar com O Agente Secreto. Fotos: Getty Images

Esse pós Fernanda Torres tem gosto de virada de página. É como se o cinema brasileiro tivesse finalmente trocado o pedido de licença por um salto alto bem plantado no chão. Sem pedir desculpa. Sem explicar demais. Apenas ocupando o espaço.

E o público sente. Vibra. Revê discursos. Faz promessa. Torce por Wagner como quem torce por final de campeonato. Porque agora não parece mais sonho distante. Parece rotina possível.

O Globo de Ouro mudou. O Brasil também. E se alguém ainda duvida, é só ligar a TV neste domingo à noite. Porque quando a festa começa logo depois do Fantástico, amiga, não é mais Hollywood falando sozinha. É conversa de igual pra igual.

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