Tiago Cheregatte Neves, ex-namorado de Elize Matsunaga, morreu de forma trágica após ser atropelado na Rodovia Padre Manoel da Nóbrega, em São Vicente, no litoral de São Paulo. A essa altura da manhã, eu já tinha saído do compromisso em Botafogo e parado num café rápido, daqueles em que a mesa é pequena demais para bolsa, celular e notícia pesada. E esta veio sem pedir licença: um personagem ligado a um dos casos criminais mais lembrados do país teve um desfecho triste fora dos holofotes.
Tiago e Elize se conheceram na Penitenciária 2 de Tremembé, conhecida como o “presídio dos famosos”. Foi lá que os dois começaram um relacionamento. Elize foi condenada por matar e esquartejar o marido, Marcos Matsunaga, em 2012.



Segundo o boletim de ocorrência, policiais militares rodoviários foram acionados no último dia 5 para atender a um acidente de trânsito com vítima na rodovia. O primeiro motorista envolvido relatou que dirigia dentro dos limites de velocidade quando viu o veículo à frente desviar bruscamente para evitar atingir um pedestre.
O condutor afirmou que tentou frear, mas não conseguiu evitar o atropelamento. Ainda conforme o registro policial, uma viatura da Polícia Militar também passou pelo local, e o primeiro motorista relatou que outros veículos também atingiram Tiago.
O motorista e o policial militar que conduzia a viatura passaram pelo teste do bafômetro, com resultado negativo para consumo de álcool. A morte foi constatada por um médico da Ecovias, concessionária responsável pelo trecho.
Tiago era um homem trans e cumpriu pena na ala feminina de Tremembé por risco de agressões caso fosse levado para uma ala masculina. Ele foi preso após tentar matar o avô. A passagem pela penitenciária e o relacionamento com Elize foram registrados pelo escritor Ullisses Campbell, autor da biografia não autorizada sobre ela.
A coluna registra o caso com cuidado, porque há histórias em que o passado criminal chama atenção, mas o fim exige menos espetáculo e mais precisão. Tiago entrou no noticiário por causa de Tremembé, de Elize e de um relacionamento improvável dentro do sistema prisional. Agora, volta por uma morte trágica numa rodovia. No meio disso tudo, fica a lembrança dura de como algumas trajetórias parecem nunca conseguir sair completamente da sombra.