Ronaldo Fenômeno aconselhou Neymar a não tomar uma decisão agora sobre a Copa do Mundo de 2030. Em transmissão da TNT Sports, o pentacampeão avaliou a participação do camisa 10 no Mundial de 2026, lembrou o histórico recente de lesões do jogador e disse que ainda é cedo para cravar se ele terá ou não condições de disputar a próxima edição do torneio.
Acordei no Cosme Velho com o Rio fazendo cosplay de Londres pobre: 17 graus, chuva fina, céu amassado e aquela umidade que entra pela janela antes da gente autorizar. Abri a cortina, olhei para o Cristo escondido na névoa e fui fazer café com a mesma disposição de quem acabou de ser convocada para comentar prorrogação. Terça de Copa, minha filha, e eu mal tinha colocado a água para ferver quando Ronaldo apareceu querendo dar conselho existencial para Neymar.

“Se eu pudesse falar diretamente para ele, eu diria o seguinte: não se cobre nada e não decida nada agora, não precisa. Ninguém precisa resolver nada agora”, disse Ronaldo. Para o Fenômeno, Neymar precisa respirar antes de definir se tenta ou não chegar ao Mundial de 2030.
E eu entendo Ronaldo nessa. Decidir futuro com a eliminação ainda quente é como terminar namoro no estacionamento do mercado: alguém vai falar besteira, alguém vai chorar e alguém vai comprar uma lasanha congelada por impulso. Neymar acabou de sair de uma Copa pesada, virou alvo de cobrança, meme, análise tática, guru de internet e inteligência artificial prometendo taça. Calma também é estratégia.
Ronaldo lembrou que Neymar vem de dois anos de lesão grave e que chegou “no sacrifício” para a Copa do Mundo de 2026. Segundo ele, o atacante pode voltar a se animar daqui a algum tempo, e Carlo Ancelotti ainda pode enxergá-lo como uma opção para a Seleção Brasileira.
A questão é justamente essa: Neymar disse, após a eliminação contra a Noruega, que a Copa de 2026 seria sua última. Pouco depois, deixou a porta entreaberta ao admitir que a decisão sobre 2030 ainda estava em aberto. Se for ao próximo Mundial, ele chegará com 38 anos, idade em que jogador já não vive só de talento, vive de joelho, calendário, fisioterapia e juízo, quatro itens que nem sempre aparecem juntos no pacote.

Eu, com a caneca na mão e a chuva batendo na janela, acho que Ronaldo foi mais médico emocional do que comentarista. Mandou Neymar não se cobrar, não decidir no calor da queda e não transformar frustração em sentença. Faz sentido. O problema é que o Brasil adora uma novela em quatro atos, e Neymar em 2030 já virou aquela pergunta que ninguém sabe responder, mas todo mundo quer opinar.
No fim, o conselho do Fenômeno é simples: não fecha a porta agora. Mas também não promete desfile em carro aberto com seis anos de antecedência. Entre aposentadoria de Copa e última dança, Neymar ainda tem tempo para descobrir se quer mesmo voltar ao baile ou se prefere deixar a IA levantar essa taça sozinha.